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Saber diagnosticar as principais doenças do feijão é indispensável para um manejo integrado de doenças efetivo. Em 2020/21, a produção desse grão atingiu pouco mais de 3 mil toneladas.

Essa produção pode ser menos expressiva em quantidade se comparado com as demais produções de grãos no Brasil, mas isso não a faz menos importante.

Hoje, o feijão é um alimento fundamental na composição da dieta de praticamente todos os brasileiros. Além de ser um aliado muito importante em questões relacionas à segurança alimentar no Brasil.

Isso devido também a outros fatores positivos como a sua composição nutricional e a possibilidade de ser cultivado durante o ano todo nas mais diversas regiões do país.

 

doenças do feijão

(Fonte: TopCropManager, 2019)

 

Dentro desse contexto, as doenças que afetam o feijoeiro podem apresentar um papel de destaque, pois podem fazer toda a produção, em quantidade e qualidade, ir por água abaixo.

Tais doenças podem ser causas por agentes fitopatogênicos de diferentes naturezas como fungos, bactérias e vírus.

Assim, confira a lista de 9 doenças do feijão que será abordada nesse artigo:

  1. Podridão radicular de Rhizoctonia;
  2. Murcha de Fusarium;
  3. Mancha angular;
  4. Ferrugem;
  5. Oídio;
  6. Mofo-branco;
  7. Antracnose;
  8. Crestamento-bacteriano-comum;
  9. Mosaico dourado do feijoeiro.

 

É importante se atentar

Como se pode imaginar, cada um desses patossistemas vai apresentar suas particularidades, assim como pontos em comum.

Relembrar, saber e refletir sobre tais características é fundamental na realização um bom planejamento de manejo integrado de doenças do feijão.

Se você deseja saber ou revisar os aspectos básicos da produção de feijão, como seus estádios fenológicos, as diferentes épocas e safras de plantio, recomendo a leitura do seguinte texto: Plantação de Feijão: Cuidados na hora de Semear!

Podendo se tornar mais fácil de relacionar informações como: em qual safra o feijão tem mais chances de ser afetado por uma doença. Ou em qual estádio fenológico se observa mais sintomas dessa doença.

Mas para saber um pouco mais sobre as principais doenças do feijão, o que é a ferrugem feijão, como manejar a antracnose no feijão, junto as outras doenças listadas, não deixe de conferir esse artigo.

 

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Podridão radicular de Rhizoctonia (Rhizoctonia solani)

A podridão radicular de Rhizoctonia é uma doença que pode causar severos danos a cultura do feijão, afetando principalmente os estádios fenológicos inicias do feijoeiro (V0 a V4).

O agente causal dessa doença é o fungo de solo Rhizoctonia solani, causando o típico sintoma de damping-off” devido ao estrangulamento do colo de plantas jovens de feijão. Resultando no tombamento do ápice da planta.

Outro sintoma característico é a ocorrência de lesões arredondadas, irregulares, deprimidas, apresentando tons amarronzados a avermelhados.

 

doenças do feijão

Sintomas na região do colo da planta causados pela doença podridão radicular de Rhizoctonia (Fonte: Epagri, 2020).

 

Esse fungo pode sobreviver em restos de culturas e no solo, com a formação de estruturas conhecidas como escleródios.

Sua dispersão pode ocorrer através da água da chuva ou irrigação, implementos de máquinas com solo contaminado ou até mesmo sementes contaminadas.

Os danos causados nos estágios inicias levam a má formação de estande e perda de produtividade. Contudo também pode afetar as vagens que tiverem contanto com o solo, causando danos qualitativos aos grãos de feijão.

A presença desse fungo em uma área de feijão pode ser tão problemática, que até mesmo sua fase perfeita (Thanatephorus cucumeris) pode causar danos, doença conhecida como Mela.

 

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Murcha de Fusarium(Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli)

A Murcha de Fusarium também é uma doença fúngica veiculada pelo solo de grande importância para a cultura do feijão.

Apesar de também poder ocorre nas fases inicias do feijoeiro, sua incidência mais preocupante ocorre nos estádios de pré-floração, florescimento e enchimento das vagens.

A severidade dessa doença está fortemente atrelada a fatores como o grau de resistência da cultivar utilizada junto as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

Seu agente causal é fungo de nome cinéticoFusarium oxysporum f. sp. phaseoli, onde abreviatura (f. sp.) significa forma specialis, indicando ser um tipo de fusarium que ataca o feijão.

Os sintomas causados por essa doença são característicos por amarelecimentos e murcha generalizada ou parcial da parte área do feijão.

Sendo isso devido ao fato desse fungo colonizar os vasos do xilema da planta, o que irá por sua vez impedir a passagem adequada de água.

Assim as plantas acabam apresentam sintomas de murcha nos períodos mais quentes do dia, retornando turgidez ao entardecer, quando a murcha é irreversível ocorre a desfolha da planta com posterior morte.

 

doenças do feijão

Sintoma típico causado pela doença murcha de fusarium (Fonte: Howard F. Schwartz).

 

Sobreviver também em restos culturais e no solo, com a formação de estruturas de resistência chamadas de clamidósporos (enovelamento de hifas). Sua dispersão ocorrer da mesma forma que a doença anterior.

 

Mancha angular (Phaeoisariopsis griseola)

Já a doença do feijão popularmente conhecida como mancha angular pode causar lesões em todos os órgãos da planta, mas principalmente nas folhas.

O fungo que causa essa doença é o Phaeoisariopsis griseola apresentando ocorrência global em mais de 60 países com mais de 29 raças.

Nas folhas pode se observar na parte inferior dos folíolos pequenas lesões angulares, de coloração marrom acinzentada e delimitadas pelas nervuras.

Evoluindo para uma coloração marrom escura com coalescimento das lesões, posterior amarelecimento e queda, resultando em desfolhamento precoce da planta de feijão.

 

Sintomas da doença mancha angular causados em folhas de feijão (Fonte: Embrapa, 2020).

 

Ferrugem (Uromyces appendiculatus)

Doenças comumente chamada de ferrugem afetam uma série de outras culturas, como a soja ou o café.

Porém são causadas por patógenos fúngicos específicos que no caso do feijão e de outras plantas do gênero Phaseolus spp. é o fungo Uromyces appendiculatus.

O qual, diferente das demais doenças comentadas até aqui, apresenta natureza biotrófica.

O que faz necessário a presença de um hospedeiro vivo para se manter presente e reproduzindo, o que também garante para essa doença uma grande variabilidade.

Esses fatores se agravam em regiões do Brasil onde se é possível o cultivar feijão durante o ano todo.

O sintoma típico dessa doença caracteriza-se pela presença de estruturas nas folhas chamadas de pústulas.

Sintomas típicos da doença ferrugem em folhas de feijão (Fonte: Embrapa, 2018).

 

Onde na ocorrência de muitas pústulas faz com que a folha apresenta clorose generalizado, secando e caindo prematuramente.

Porém, inicialmente ocorre em pequenas manchas amarelo esbranquiçadas na parte de baixo da folha, evoluindo para ambos lados com manchas de cor marrom alaranjadas e geralmente com halo clorótico.

As pústulas são as estruturas repoisáveis por produzidos os esporos os quais são disseminados principalmente pelo vento.

 

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Oídio (Erysiphe polygoni)

A doença de oídio na cultura do feijão apresenta caráter secundário ocorrem sob condições de temperatura moderada e baixa umidade, o que é comum em cultivos tardios.

O agente causa dessa doença é o fungo Erysiphe polygoni, o qual pode ocorre em toda a parte área da planta sendo as folhas o órgão mais afetado.

Seus sintomas típicos se caracterizem pela ocorrência de pequenas manchas verde-escuras na parte inferior da folha e se desenvolvem para pequenas massas brancas acinzentadas com aparecia de pó.

Em situações de infecções de maiores severidade, a folha pode ficar inteiras com aspecto pulverulento, evoluindo para amarelecimento e desfolha prematura.

Sintomas da doença de oídio em folhas de feijão (Fonte: UF/IFA, 2020).

 

O patógeno dessa doença apresenta diversas raças fisiológicas e grande número de hospedeiros.

Fatores que se tornam essências para a garantia da manutenção do fungo mesmo na ausência do feijoeiro, podendo seus esporos ser disseminados pelo vento, chuva ou insetos.

 

Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum)

O mofo-branco é uma das principais doenças fúngicas do feijoeiro e ocorre nos cultivos de feijão do mundo todo.

É uma doença que ocorre principalmente a partir do florescimento, além de ser importante em áreas de cultivo inverno.

Que somado a prática de irrigação por aspersão, podendo chegar acusar perdas de até 100% da produção do feijão.

Essa doença é causada pelo fungo de solo Sclerotinia sclerotiorum o qual é um patógeno com mais de 300 espécies de plantas hospedeiras, muitas delas de interesse agrícola como a soja.

Os sintomas típicos dessa doença são o apodrecimento de hastes, folhas e vagens junto ao crescimento de uma massa micélio branco, o mofo.

 

Sintomas da doença mofo branco afetando vagens de feijão (Fonte: Embrapa, 2018)

 

As lesões que se desenvolvem secam, apresentando cor de palha e a formação de estruturas de resistência (escleródios).

Os escleródios são essenciais pois garante a manutenção da viabilidade do fungo, por mais de oito anos. Até que se tenha plantas hospedeiras e condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento do fungo e da doença.

 

Antracnose (Colletotrichum lindemuthianum)

A antracnose é uma doença que ocorre nos principais estados produtores de feijão, assim como é considerada uma das doenças mais importantes da cultura.

Isso devido a capacidade de causar a perda total da produção, ocorrendo com maior frequência em regiões de temperatura baixa a moderada e umidade relativa alta.

O fungo responsável por causar essa doença o Colletotrichum lindemuthianum, o qual apresenta alta variabilidade genética, com mais de 32 raças patogênicas identificadas.

Os sintomas típicos dessa doença são nervuras da superfície inferior dos folíolos com lesões alongadas, inicialmente de cor avermelhada e posterior necrose.

 

Sintomas típicos da doença antracnose em vagens de feijão (Fonte: Elizabeth Bush).

 

Já os sintomas apresentados em vagens infectadas serão de lesões circulares e deprimidas de tamanho variável, coloração marrom, com bordos escuros e salientes com um halo pardo avermelhado.

As lesões podem coalescer e cobrir parcialmente as vagens e sob condições favoráveis vão apresentar o centro das lesões de coloração mais clara ou rosada indicando a esporulação do fungo.

O qual pode sobrevive e ser disseminado através de restos de cultura, sementes, respingos de chuva, irrigação e insetos.

 

Crestamento-bacteriano-comum (Xanthomonas axonopodis pv. phaseoli)

O crestamento bacteriano comum, diferente de todas doenças que vimos até aqui, é causado por patógeno bacteriano.

Doença de importância considerável na cultura do feijoeiro em função da redução significativa da produção e das dificuldades de controlar essa doença.

Além de ser uma doença amplamente disseminada e comum em todas as regiões produtoras de feijão do mundo, principalmente em regiões com climas quentes e úmidos.

O que tem relação direta com os maiores danos causados no feijão quando semeado na época das águas.

Os sintomas dessa doença são característicos por pequenas manchas verde escuras, encharcadas e oleosas.

Com o decorrer do progresso da doença as lesões ficam maiores de coloração marrom a necróticas e junto a um halo clorótico.

Em desenvolvimentos mais severos da doença, as lesões coalescem, com consequente desfolha do feijão.

 

Sintomas causados em folhas de feijão pela doença crestamento bacteriano comum (Fonte: Embrapa, 2018).

 

O crestamento bacteriano comum do feijoeiro tem como agente causal a bactéria Xanthomonas axonopodis pv phaseoli.

Pode sobreviver na semente, em restos de cultura, no solo e em plantas hospedeiras alternativas.

A exemplos de plantas daninha do gênero Amaranthus spp. e a famosa tiririca (Cyperus rotundus). Assim como em outras fabaceae podem servir de hospedeiras para a bactéria.

A qual é tem sua disseminação, no campo, através de sementes contaminadas, insetos, água da chuva e de irrigação por aspersão.

 

Mosaico dourado do feijoeiro (BGMV)

O mosaico dourado do feijão é considerado a virose mais importante da cultura do feijoeiro e se encontra presente na maioria das regiões produtoras do Brasil.

Essa doença gerar danos que pode comprometer 100% da produção da planta, em função do cultivar e do estádio da planta de feijão.

O organismo que causa essa doença é o vírus chamado Bean golden mosaic virus (BGMV).

E que da mesma forma que outras doenças causadas por vírus o BGMV precisa de um vetor para ser introduzido e disseminado pela lavoura de feijão.

No caso dessa doença a mosca branca (Bemisia tabaci) é quem desempenha a função de vetor.

Assim as populações do vetor e hospedeiros alternativos do vírus junto as condições climáticas favoráveis também são elementos fundamentais para a severidade da doença.

Lembrando que temperaturas elevadas e baixa umidade são condições favoráveis à maior incidência dessa doença justamente dado o aumento da população da mosca branca.

Plantas jovens de feijão tem como sintomas folíolos com aspecto de encarquilhados ou curvados para baixo, com posterior clareamento e clorose leve nas nervuras.

 

doenças do feijão

Folhas de feijão apresentando sintomas da doença mosaico dourado (Fonte: Seminis).

 

O aspecto de mosaico ocorre após o desenvolvimento das folhas com o aumento dos espaços entre as cloroses próximas a nervura.

Outros sintomas que se tem para essa doença são de vagens deformadas, plantas com nanismo, perda da dominância apical, brotamento das gemas axilares e retardamento da senescência foliar.

Isso tudo em decorrência da bagunça metabólica e hormonal causada pelo vírus durante seus processos de multiplicação dentro da planta de feijão.

 

Manejo integrado das doenças do Feijão

O manejo integrado de doenças (MID) faz uso de diversas ferramentas de controle visando a forma mais racional possível.

Essa integração junta os mais diversos tipos de controle como físico, cultural, genético, biológico e químico.

Sendo o primeiro passo para isso, justamente a diagnose dos sintomas das doenças, sendo algumas doenças mais facilmente identificadas. Em função da experiência de quem realiza a diagnose ou por alguma características bem definidas da doença.

De toda forma é muito importante a inspeção rotineira das áreas de cultivo de feijão a qual pode ser auxiliada por sistemas de previsão e aviso de doenças.

 

E o que fica de mais importante?

Como você pode perceber muitas das doenças aqui abordadas podem sobreviver e serem transmitida via a semente de feijão.

Assim, uma medida de manejo essencial para se evitar e introdução de doenças na área é a utilização de sementes de boa qualidade fisiológica e sanitária.

Pois uma boa taxa de germinação, junto a uma profundidade adequada de semeadura evita com que a plântula de feijão permaneça muito tempo exporta a infecção de patógenos que sobrevivem no solo.

Outra técnica de manejo recomentada para diminuir a fonte de inóculo de doenças que sobrevivem no solo ou em restos de culturais ou que precisam de um hospedeiro vivo é a rotação de cultura.

Sendo importante também o manejo de espécies espontâneas que possam estar presentes nas áreas de cultivo de feijão.

Assim como a presença de palha no sistema de cultivo, pode evitar a disseminação de doenças ou infecção das vagens por não estarem em contato direto com o solo.

Outro fator muito importante e essencial para o manejo de doenças é a escolha adequada do material genético de feijão.

Assim você pode adquirir uma cultiva de feijão resistente a uma doença que está impossibilitando o cultivo. Além de poder manejar época de semeadura que será mais desfavorável para o desenvolvimento da doença.

Por fim, a ideia aqui é mostrar que quanto mais pontos relacionados ao manejo do feijão forem pensados previamente maior será a efetividade do seu plano de manejo integrado de doenças.

 

Conclusão

Espero que esse artigo tenha ajudado você a saber um pouco mais sobre algumas das principais doenças que afetam a cultura do feijão.

Assim como entendido a importância de se realizar uma boa diagnose de doenças nas áreas de cultivo de feijão, e sua relação com um bom manejo integrado de doenças.

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Pós-graduação em Manejo Integrado de Pragas

João Verzutti