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A antracnose é uma doença capaz de causar danos expressivos e irreversíveis a diversas culturas, como a soja, feijão, milho e sorgo.

As doenças são um dos fatores que podem limitar a produção e causar muitos prejuízos.

A seguir aprenderemos como identificar a doença nessas culturas, assim como as medidas de controle mais eficazes. Confira!

Antracnose: como identificar e combater essa doença.

Sintomas de Antracnose na Cultura da Soja (Foto: FMC Agrícola)

 

IMPORTÂNCIA DA ANTRACNOSE

A antracnose é uma doença causada por fungos do gênero Colletotrichum, que causa danos não só as folhas, mas em diferentes partes de várias espécies de plantas.

A antracnose é de grande importância para as culturas de grãos, por causar perdas quantitativas (diminuição da produção) e qualitativas, como manchas nos grãos ou sementes, o que diminui o valor de comercialização do produto.

Nos últimos anos, essa doença vem ganhando força em culturas em que ela era considerada segundaria, como na soja, onde hoje é considerada em algumas regiões a segunda doença mais importante.

Em plantios de soja essa doença pode causar perdas que variam entre 10% e 20% da produtividade.

Em casos mais severos da antracnose, essa doença pode causar perdas maiores que 50% na produção de grãos de sorgo. E pode também causar perdas significantes para o sorgo cultivado para pastagem e silagem.

Já na cultura do feijão essa doença pode causar perdas muito maiores, podendo comprometer até 100% da produção.

 

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DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA

Para que a doença ocorra é necessário que seja formado o triângulo da doença. Ou seja, é necessário a presença do patógeno, um hospedeiro suscetível e o ambiente favorável.

As condições favoráveis para o desenvolvimento da doença são alta umidade e temperatura moderada a alta.

Essas condições podem ser favorecidas com altas populações de plantas, uma vez que plantios muito adensados proporciona alta umidade.

O inóculo inicial pode ser oriundo da semente ou restos culturais contaminados. A chuva e o vento ajudam na disseminação de esporos presentes em tecidos já infectados.

O patógeno pode sobreviver em sementes, restos culturais e hospedeiros alternativos (outras plantas que são hospedeiras do fungo e estão presentes na lavoura).

DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA

Fatores que influenciam a ocorrência da Antracnose – Triângulo da Doença (Fonte: Phytus)

 

ANTRACNOSE NA SOJA

A antracnose da soja, umas das principais doenças da cultura, é causada principalmente pelo fungo Colletotrichum dematium.

A doença afeta todas as fases de desenvolvimento da soja, desde o estabelecimento da lavoura até o enchimento de grãos.

ANTRACNOSE NA SOJA

Períodos de ocorrência da Antracnose da Soja (Foto: Bayer)

A antracnose causa desfolha, abortamento de vargens e morte prematura de plântulas, reduzindo o potencial produtivo.

Além disso, a antracnose causa manchas castanho-escuros em folhas, pecíolos hastes, vargens e grãos.

ANTRACNOSE NA SOJA

Sintomas evoluídos nas vagens (Foto: FMC Agrícola)

 

ANTRACNOSE NO MILHO

A antracnose no milho é causada pelo fungo Colletotrichum graminicola, que pode atacar folhas e os colmos.

Essa doença é favorecida pela falta de rotação de culturas, ou seja, plantio de milho após milho.

A doença pode causar acamamento e quebramento de plantas, baixo rendimento operacional da colheita e redução do potencial produtivo e qualidade dos grãos.

Os sintomas observados no colmo são manchas escuras ao longo da parte externa do colmo e descoloração interne dos nós.

Já nas folhas, os sintomas da antracnose são lesões necróticas de coloração castanha, que acompanham as estrias foliares.

ANTRACNOSE NO MILHO

Lesões na folha de milho (Foto: Pioneer sementes)

 

ANTRACNOSE NO FEIJÃO

A antracnose do feijoeiro é causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum e apresenta extensa distribuição no Brasil.

Como mencionado anteriormente, é uma das principais doenças da cultura, por causar enormes perdas na produção, além de comprometer a qualidade dos grãos.

Os sintomas típicos da doença nas folhas são lesões necróticas de coloração marrom escura nas nervuras na face abaxial (face inferior das folhas).

Lesões alongadas e escuras, às vezes apresentando depressões, podem ser observadas no caule e nos pecíolos.

Já nas vagens, os sintomas encontrados são lesões circulares, de coloração marrom, que dependendo do grau da infecção podem apresentar depressões no seu centro.

ANTRACNOSE NO FEIJÃO

Sintoma de Antracnose em vagens e folhas de feijão (Foto: EMBRAPA)

 

ANTRACNOSE NO SORGO

Uma das mais importantes doenças da cultura do sorgo é a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum graminicola.

Essa doença está presente em todas as áreas de plantios de sorgo no Brasil causando grandes danos à cultura.

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A antracnose pode afetar folhas, colmo, pedúnculo, panícula e grãos do sorgo, sendo a fase foliar da doença é a mais comum.

Os sintomas típicos da antracnose nas folhas são lesões elípticas a circulares, com pequenos centros circulares de coloração palha a cinza.

A infecção da panícula e dos grãos, auxilia na disseminação da doença para novas áreas, devido ao transporte do grão contaminados.

ANTRACNOSE NO SORGO

Sintoma da antracnose na nervura central de folhas de sorgo (Foto: EMPRAPA)

 

MEDIDAS DE MANEJO

O primeiro passo para o controle da antracnose é evitar a entrada do patógeno na área de plantio. Essa medida pode ser realizada utilizando sementes sadias e o tratamento de sementes com fungicidas.

Uma vez que a doença já está estabelecida na área a melhor alternativa para minimizar os danos causados pela antracnose é o manejo integrado da doença, ou seja, utilizar mais de uma medida de controle.

Como aprendemos ao longo do texto, o Colletotrichum spp. é capaz de sobreviver em restos de cultura, por tanto uma medida de controle efetiva, quando o patógeno já está instalado na área, é a rotação de culturas.

 

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Mas lembre-se de utilizar espécies de plantas não hospedeiras da espécie de Colletotrichum que você deseja controlar. Caso não realize esta prática corretamente, a população do patógeno pode aumentar.

Outra medida de controle recomendada para manter a taxa de inoculo baixa é a adequação da população das plantas, ou seja, utilizar o espaçamento indicado para a cultura. Já que altas populações de plantas favorecem a alta umidade e consequentemente a proliferação do patógeno.

Existem no mercado algumas cultivares resistentes a antracnose, portanto, é indicado o uso dessas cultivares, como medida de controle genético.

O controle químico além de ser utilizado no tratamento de sementes, também pode ser utilizado em pulverizações da parte aérea das plantas. Mas lembre-se de utilizar somente produtos registrados para a cultura.

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E lembre-se, o controle químico não é único tipo de manejo, você deve utilizar outras técnicas para obter um controle mais efetivo da doença.

 

CONCLUSÃO

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Como vimos a antracnose pode causar grandes perdas na produção de grãos, portanto é essencial conhecer o patógeno e as condições favoráveis para o desenvolvimento da doença, para que medidas de controle eficientes sejam adotadas, reduzindo as perdas provocadas por esta doença.

Escrito por Pollyane Hermenegildo.

Pollyane Hermenegildo
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