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Formigas Cortadeiras: Aprenda a Controlar!

Formigas Cortadeiras: Aprenda a Controlar!

Formigas Cortadeiras: Descubra as principais características e os diferentes tipos, além de conhecer os métodos de controle para evitar danos em sua cultura.

Formiga Cortadeira

 

As formigas cortadeiras, Attaspp. (saúvas) e Acromyrmexspp. (quenquéns), possuem ampla distribuição geográfica e são consideradas as principais pragas dos reflorestamentos no Brasil, devido ao elevado número de colônias por área, ao grande número de indivíduos por colônia, a grande voracidade e a sua presença constante nos plantios florestais.

Tanto as saúvas (Atta spp.) quanto as quenquéns (Acromyrmex spp.) causam sérios danos às plantas devido ao corte de folhas, brotos e cachos.

A atividade das formigas é prejudicial em qualquer fase do ciclo das plantas, porém o dano é maior na fase de formação, quando paralisa temporariamente seu crescimento e, por isso, temos de fazer controle das formigas. Para ajudar o agricultor neste controle.

 

CARACTERÍSTICAS DAS FORMIGAS CORTADEIRAS

 

CARACTERISTICAS DAS FORMIGAS CORTADEIRAS

(Fonte: Rentokil, 2019)

 

  • Sua coloração é castanha, mas pode variar mesmo sendo pertencente a mesma espécie e colônia;
  • São polimórficas;
  • Não possuem soldados;
  • Apresentam de quatro a cinco espinhos no mesossoma;
  • Os ninhos são feitos no solo, sendo alguns difíceis de serem observados, principalmente se não houver acúmulo de palha ao redor do orifício de saída das operárias;
  • Coletam folhas e outras partes vegetais, transportam para o interior do ninho para cultivar um fungo que servirá de alimento.

 

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FORMIGUEIRO DAS CORTADEIRAS

 

Um formigueiro adulto, ou seja, quando as saúvas que nele habitam estão com três anos de idade, inicia-se o processo de multiplicação e seu primeiro sinal, visível aos olhos, é a revoada.

Em um formigueiro adulto, ou seja, quando as saúvas que nele habitam estão com três anos de idade, inicia-se o processo de multiplicação e seu primeiro sinal, visível aos olhos, é a revoada ou voo nupcial.

 

Formigueiro das Saúva

Formigueiro das Saúva

(Fonte: Raid, 2019).

 

Mas, afinal, o que é a revoada? “Uma vez ao ano, geralmente, no início do período das chuvas, o formigueiro passa a produzir zangões e tanajuras.

Geralmente, após as primeiras chuvas, quando o sol volta, ocorre a revoada essas revoadas, normalmente, acontecem no período da tarde, com exceção das quem-quens, em que esse voo ocorre pela manhã.

 

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Tipos de operárias nos formigueiros das cortadeiras:

As soldadas, que acompanham as outras no trabalho e são as mais fortes para defender o formigueiro. As soldadas de saúvas são conhecidas como “cabeçudas”, que saem em grande número quando perturbamos um formigueiro forte.

As cortadeiras ou carregadeiras, que são as mais numerosas nos carreiros, responsáveis por cortar, carregar, limpar, abrir caminhos, escavar e ajudar na defesa da colônia, entre outras funções.

As jardineiras, que são as menores dentre as operárias, têm a função principal de cultivar o alimento sobre as folhas trazidas pelas cortadeiras. Têm este nome porque trabalham nos “jardins de fungo”, realizando um trabalho muito delicado e importante para a colônia de cortadeiras.

 

CONHECENDO DIFERENTES FORMIGAS CORTADEIRAS

 

Quanto a organização social de um formigueiro temos;

 

 A Saúva

A Rainha é uma Tanajura que foi fecundada em vôo, pousou no solo, perdeu as asas, escavou a primeira panela e, assim fazendo, fundou um novo formigueiro.

O seu papel é o mais fundamental na colônia: somente ela põe os ovos dos quais nascem todas as outras, isto é, ela é a “mãe” do formigueiro.

 

Formiga Saúva

(Fonte: ImGrower, 2017)

 

Desta maneira a Rainha controla o número de soldados, cortadeiras e jardineiras de cada estação. A rainha escolhe o local para a nova colônia e, sozinha inicia a escavação da primeira panela do formigueiro. A seta indica que a rainha perde definitivamente as asas.

 Além disso, a Rainha que parece comandar todas as atividades do formigueiro, liberando diferentes hormônios que ajudam a organizar as tarefas principais.

 

Quenquéns

Quanto às quenquéns, levando em conta que a colônia é bem menor e menos populosa, a sua organização é basicamente a mesma que a das saúvas.

Dependendo da espécie, todas as operárias podem ser iguais ou então de vários tamanhos ou cores na mesma colônia, os reprodutores também são bem menores que nas saúvas.

 

Formiga Quenquéns

 

As operárias colônia está pronta para iniciar as atividades fora do formigueiro inicia-se os cortes de plantas pelas operárias.

Um aspecto importante para o reconhecimento de algumas dessas quenquéns é a enorme quantidade de ciscos e palhas sobre as entradas dos formigueiros. Além disso, as quenquéns apresentam quatro ou mais espinhos nas “costas” (tórax).

 

CONTROLE DA FORMIGA CORTADEIRA                             

 

Acredita-se que alguns dos princípios da filosofia do manejo integrado de pragas não se aplicam para formigas cortadeiras de modo geral, pelas particularidades ecofisiológicas, comportamentais e reprodutivas destes insetos eusociais.

Um dos princípios básicos do MIP é a determinação da menor densidade populacional que causa prejuízo econômico, o nível de dano econômico, necessário para a tomada de decisão para adoção ou não de medidas de controle.

 

Diagnose de doenças florestais causadas por fungos

 

Controle de Cultura

A utilização de culturas armadilhas, como gergelim, capim braquiarão, mamona ou batata-doce podem apresentar efeitos tóxicos ou repelirem as formigas cortadeiras é considerado um método cultural.

Essas culturas podem ser plantadas na borda das culturas principais, podendo servir também como alimento alternativo. A aração e gradagem do solo são considerados métodos de controle cultural por alguns autores.

 

Controle mecânico

Em sauveiros jovens (até 4 meses de idade), onde a rainha ainda está a poucos centímetros da superfície, um método simples e eficiente de se acabar com o sauveiro é a escavação e morte da rainha.

A aração do terreno antes do plantio funciona da mesma maneira, podendo matar a rainha. Porém, essas táticas não funcionam em sauveiros mais velhos.

Outro método, bastante antigo, utilizado é o de proteção das copas das árvores, que consiste em utilizar tiras cobertas de graxa ou vaselina amarradas no tronco das árvores.

Pode-se também utilizar gel adesivo ao redor do tronco ou anéis com água. Esses métodos visam evitar o acesso das formigas as folhas e são praticamente inviáveis em plantações extensas.

 

Controle Químico

O uso de produtos químicos é o método mais eficaz para eliminar as formigas cortadeiras. Somente as colônias das saúvas muito jovens podem ser destruídas mecanicamente, por meio de escavação.

 

Pulverização

 

Entre as quenquéns, porém, o desafio está na descoberta do local dos ninhos. Se não encontrados, distribua a cada 6 metros, no máximo, iscas granuladas no ambiente.

A época mais adequada de controle de formigas é após a colheita de milho ou de soja, quando falta alimento e os ninhos de formigas são localizados com maior facilidade.

O intervalo entre a dessecação e o início de semeadura é também adequado para controle intensivo de formigas.

 

Isca Granuladas

É muito importante usar iscas nos dias com maior atividade externa das formigas. As formigas desenvolvem intensa atividade de transporte e armazenagem de folhas e outras partes de plantas para alimentar os fungos no período até três dias antes de chuvas ou entrada de frentes frias.

 

Isca Granuladas- Combate da Formigas Cortadeiras

(Fonte: LANDRIN, 2019).

  • O método possui alta eficiência, alto rendimento operacional.
  • Pode ser aplicado de forma sistemática.
  • São de baixa toxicidade, causando menor dano ao meio ambiente.
  • Agem exclusivamente por ingestão.
  • A distribuição do formicida dentro da colônia é feita pelas próprias formigas
  • Após 48 horas do carregamento da isca: 50% da população da colônia estará contaminada. 21
  • As iscas granuladas contêm um princípio ativo (clorpirifós, sulfluramida, fipronil, deltametrina, fenthium, fenitrothion e bifentrin).
  • E um produto atrativo: mistura de polpa cítrica, óleo de soja e inseticida. à São altamente atrativas para as formigas cortadeiras.

 

Aplicação

Para maior eficácia no controle de formigas a isca deve ser colocada após a dessecação, quando falta alimento e antes da emergência das plantas cultivadas. Por isso, deve-se concentrar o uso de formicidas granulados nos períodos entre safras.

As iscas devem ser colocadas na borda das trilhas de transporte de folhas e próximo aos “olheiros” de entrada do formigueiro. Nunca dentro ou sobre o olheiro de entrada do formigueiro. Deve-se tomar cuidado com o manuseio da iscas para evitar odores que as formigas poderiam rejeitar.

 

Tipos de pontas de pulverização e tamanhos de gotas.

 

Pó seco

Os formicidas em pó são indicados para espécies de formigas cortadeiras que constroem seus ninhos mais rasos no solo, como são as quenquéns.

Isso porque ao aplicar o pó não se consegue atingir o interior das colônias muito profundas, o que torna o controle ineficaz.

  • Aplicados com o uso de polvilhadeiras manuais e motorizados.
  • Usar com clima seco e com baixa umidade relativa do ar.
  • Recomenda-se seu uso somente em sauveiros jovens e em quenquenzeiros de monte.
  • Principal limitação: pouca eficiência do uso de bombas manuais e a profundidade que funciona: até 2,5 m.
  • Os formicidas em pó devem ser bombeados de 5-10 x em cada olheiro
  • Podem causar problemas de refluxo pela “bucha de formigas” que entopem os canais
  • Mata as formigas por contato.

 

Líquido Nebulizado

A termonebulização é eficiente no controle de formigueiros, inclusive aqueles de maior tamanho, quando feito nos momentos de intensa atividade das formigas e aplicado em diferentes pontos do ninho.

 

Termonebulização - Combate Formiga Saúva

(Fonte: DDSULF, 2020)

O uso de inseticidas nebulizados é antigo e foi adotado com substratos queimados em fumigadores e bombeado para dentro dos formigueiros com fole manual.

  • Bastante sucesso em locais com muita saúva
  • Sua ação é imediata, paralisando o formigueiro
  • Os custos, rendimento e eficiência do controle são variáveis
  • Deve-se observar: O grau de infestação; O sistema operacional; Os produtos utilizados
  • Usa-se uma máquina motorizada
  • Transforma-se o produto inseticida em fumaça
  • A aplicação ocorre através de uma corrente de ar produzida também pela máquina, até a saturação do formigueiro.
  • Mata a formiga por contato.
  • É viável somente para saúva.

 

CONCLUSÃO

 

Neste artigo vimos os diferentes tipos de formiga cortadeira e o quanto que elas podem prejudicar as culturas.

Com isso é de extrema importância que o agricultor faça monitoramento correto pois quanto mais cedo identificar melhor para realizar o diagnóstico correto, e assim realizar medidas de manejo para o controle em sua lavoura, onde poderá opinar para o melhor tipo de controle.

É importante ressaltar que em caso de dúvidas o ideal é procurar um o profissional da área para realizar a identificação correta.

 

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Produtos Florestais não Madeireiros: Conheça Agora a Importância!

Produtos Florestais não Madeireiros: Conheça Agora a Importância!

Os produtos florestais não madeireiros, como o próprio nome indica, são todos os produtos advindos da floresta que não sejam madeira, como: folhas, frutos, flores, sementes, plantas, castanhas, palmitos, raízes, bulbos, ramos, cascas, fibras, óleos essenciais, óleos fixos, látex, resinas e gomas.

Hoje no mundo todo, os recursos florestais não madeireiros consistem na principal fonte de renda e alimento de milhares de famílias que vivem da extração florestal e que são dependentes desses produtos.

A atividade extrativista assume um importante papel, econômico, social e cultural de várias populações.

Vamos conferir juntos um pouco mais sobre esse assunto?

 

Produtos florestais não madeireiros

 

IMPORTÂNCIA DOS PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS

 

Os produtos florestais não madeireiros PFNMs, são fundamentais para a subsistência de muitas pessoas em todo o mundo, especialmente para aquelas que vivem no interior ou próximo das florestas.

Além disso, os PFNMs são utilizados na alimentação, produção de medicamentos, usos cosméticos, construção de moradias, tecnologias tradicionais, produção de utensílios e tantos outros usos.

 

Produtos Madeireiros e Não Madeireiros

 

Tem uma significativa importância como alternativa econômica que pode diminuir o êxodo rural e as taxas de desmatamento, onde, em boa parte dos casos os produtos podem ser manejados de forma simples, alguns dentro da própria reserva extrativista que os povos e comunidades já conduzem.

De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), cerca de 80% da população de países em desenvolvimento usam os PFNMs para suprir algumas de suas necessidades vitais.

Os produtos florestais não madeireiros, podem ser provenientes de florestas plantadas ou de florestas naturais, independentes de sua origem o manejo florestal é de suma importância para manutenção da atividade.

 

Extração vegetal

Fonte: ICMBIO

 

POR QUE FAZER O MANEJO DE PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS?

 

Como já vimos a importância dos PFNMs, é importante também ter consciência dos riscos do aumento de sua escala de produção, aos anos devido a extração, passando do uso de subsistência para uma escala comercial e o que isso pode causar.

Portanto, é importante ressaltar que a atividade extrativista vegetal dos PFNM’s pode ser classificada em dois grupos, extrativismo de coleta:  extração do recurso que compreende à coleta sem danificar a matriz e o extrativismo de aniquilamento: atividade implica na destruição da planta.

Desse modo, torna-se fundamental o seu manejo, objetivando o controle e a diminuição do impacto de sua extração/coleta sobre a floresta.

O manejo consciente é importante também, porque, mantém a floresta praticamente sem alterações, pois não envolve a morte de seus componentes, promovendo a manutenção não só de sua estrutura e funções ecológicas, como também a integralidade de sua biodiversidade.

 

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PRINCIPAIS FASES DO MANEJO PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS

 

O manejo dos PFNMs passa essencialmente por três fases distintas: pré-coleta, coleta e pós-coleta, cada uma em seu tempo e atividades.

Nem sempre essas fases seguem uma ordem linear, a necessidade da execução é que vai determinar o seu momento.

 A figura a seguir, apresenta como cada uma das fases de forma estruturada e ordenada.

 

MANEJO PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS

Fonte: florestal.gov.br

 

OS PRINCIPAIS PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS

 

Vamos listar abaixo os principais produtos florestais não madeireiros e como são encontrados na natureza.

 

Qualidade e uso da madeira!

 

Resina

A resina é uma secreção formada especialmente em canais de resina de algumas plantas como, por exemplo, árvores coníferas.

Sua obtenção é normalmente realizada através de um corte na casca da árvore.

O setor brasileiro de produção de goma-resina ocupa uma posição de destaque no mercado mundial, passando de importador para a de exportador destes produtos e de seus derivados.

Hoje o Brasil, é o segundo maior produtor mundial, tendo à frente apenas a China, onde, 73,7% da produção se concentra na região Sudeste.

 

Produtos florestais não madeireiros: resina

 

Borracha natural

A borracha é extraída da Seringueira (Hevea brasiliensis), sendo uma das principais espécies florestais nativas do Brasil.

No início do século, o Brasil ocupava a primeira posição mundial na produção e exportação de borracha natural.

Porém, a partir de 1913, o Brasil perdeu mercado, disputando hoje com vários países.

 

Produtos florestais não madeireiros: extração de látex

 

Tanino

Taninos são polifenóis de origem vegetal.

Eles inibem o ataque às plantas por predadores, pois diminuem a palatabilidade, causa dificuldades na digestão, produz compostos tóxicos a partir da hidrólise dos taninos e também por microrganismos patogênicos.

São geralmente divididos em dois tipos: hidrolisáveis e condensados.

 

Produtos florestais não madeireiros: tanino

 

Óleos essenciais

Os óleos essenciais são substâncias voláteis extraídas de plantas aromáticas, constituindo matérias-primas de grande importância para as indústrias cosmética, farmacêutica e alimentícia.

Essas substâncias orgânicas, puras e extremamente potentes são os principais componentes bioquímicos de ação terapêutica das plantas medicinais e aromáticas.

 

Tomografia e Raios X de Madeira Aplicadas em Florestas Urbanas e Plantadas

 

Os óleos essenciais estão presentes em várias partes das plantas como folhas, flores, madeiras, ramos, galhos, frutos e rizomas.

Alguns exemplos de óleos essenciais são, óleo de andiroba, óleo de açaí, óleo de Buriti e óleo de eucalipto.

 

Produtos florestais não madeireiros: óleo essencial

 

Produtos vegetais

Vários tipos de frutos e castanhas são produzidos em árvores ou arbustos lenhosos. Fazendo parte de atividades extrativistas, movendo um mercado que cresce cada vez mais, o de produtos naturais advindos de fontes renováveis e sustentáveis.

O extrativismo vegetal não madeireiro, é regionalizado e abaixo podemos conferir a representatividade das regiões e sua produção nesse cenário:

  • Região Norte: Açaí 93,1% e a castanha-do-pará, que hoje denomina-se, castanha-do-brasil 94,9%.

 

 Açaí e castanha do brasil

 

  • Região Nordeste: Produção de amêndoas de babaçu 99,7%, fibras de piaçava 96,1% e pó de carnaúba 100,0%.

 

Babaçu e Cera de carnaúba

 

  • Já na Região Sul: Entra com a participação da erva-mate 99,9% e pinhão 85,5% e cascas de acácia-negra.

 

Erva mate e Pinhão

 

  • Por fim, na Região Sudeste: Com a produção de folhas de eucalipto 94,7%.

 

Folhas de eucalipto

 

OS PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS E AS FUTURAS GERAÇÕES

 

Vimos nesse artigo que as florestas além de madeira elas oferecem os produtos florestais não-lenhosos de origem vegetal, tais como resina, óleos essenciais e dentre outros.

Os produtos florestais não madeireiros muitas das vezes são uma fonte de renda familiar, aumentando o bem estar de povos e comunidades da floresta e de seu entorno.

Estes recursos não madeireiros, beneficiam não só a pessoas que são envolvidas nos seus processos de extração, mas também é uma forma de acompanhar ou monitorar fatores relacionados com a sustentabilidade ambiental, social, cultural e econômica.

 

Pós-graduação em Silvicultura de precisão

 

Alguns casos, o manejo sustentável é uma das premissas para o licenciamento da atividade pelos órgãos ambientais. Essa base de dados, também pode ser um requerimento para um possível processo de certificação e alcance de selos de qualidade para os produtos gerados.

Dessa forma, a sistematização de conhecimentos tradicionais, valorizando-os dentro e fora dos povos e comunidades florestais é uma maneira de garantir que as futuras gerações possam também usufruir dessa atividade.

Florestas Plantadas e as suas Principais Contribuições!

Florestas Plantadas e as suas Principais Contribuições!

A indústria brasileira de árvores plantadas é uma referência mundial por sua atuação pautada pela sustentabilidade, competitividade e inovação.

As florestas plantadas reduzem a pressão sobre as florestas naturais, contribuindo para a conservação da biodiversidade, além de muitos outros serviços ambientais.

Vejamos a seguir quais são as principais contribuições do setor florestal para a conservação de toda nossa riqueza de fauna e flora.

 

FLORESTAS PLANTADAS

 

A IMPORTÂNCIA DAS FLORESTAS PLANTADAS

 

Hoje no Brasil, as florestas plantadas em sua grande maioria é composta de pinus e eucalipto.

A produção é destinada à indústria de papel e celulose, carvão vegetal, madeira serrada, produtos de madeira sólida e madeira processada, além da borracha.

Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 2016, cerca de 7 milhões de hectares de nossos solos, eram destinados ao plantio comercial de florestas.

E ainda segundo a CNA, o estado de Minas Gerais lidera em área plantada, contando 1,49 milhão de hectares. Seguido por São Paulo, com 1,18 milhão, Paraná, 817 mil, Bahia 616 mil e Santa Catarina com 645 mil hectares. Juntos, estes estados abrangem 72% da superfície nacional de florestas plantadas.

Aqui no Brasil, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), é a associação responsável pela representação institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas, do campo à indústria.

Ter um órgão que representa o setor é de suma importância, para que as empresas atuem muito além do compromisso com a legislação, como o Código Florestal Brasileiro e o Licenciamento Ambiental.

 

Pós-graduação em Silvicultura de precisão

 

Os investimentos na melhoria das práticas de manejo, são constantes e têm como principal objetivo mitigar os impactos no meio ambiente e promover a conservação da biodiversidade. Sempre levando em conta a escala e intensidade das cadeias produtivas.

É importante destacar que 125 mil hectares dessas áreas conservadas pelo setor estão classificadas, nos processos de certificação florestal, como áreas de alto valor de conservação (AAVC).

Essas áreas são consideradas de extrema importância para a conservação de espécies da flora e da fauna, manutenção de ecossistemas, prestação de serviços ambientais e conservação da identidade cultural tradicional de comunidades locais.

 

Produção de Madeira

 

FLORESTAS PLANTADAS: BENEFÍCIOS ECONÔMICOS, ECOLÓGICOS E SOCIAIS

 

A atuação do setor brasileiro de árvores plantadas, busca no uso eficiente e sustentável dos recursos ambientais significativa contribuição para a conservação, preservação e recuperação de ambientes naturais.

Dessa forma, as florestas plantadas trazem inúmeros benefícios para o sistema produtivo, podendo ser destacado:

  1. Contribuição direta na regulação do fluxo hídrico, na polinização;
  2. Controle do clima;
  3. Formação de estoques de carbono;
  4. Conservação do solo;
  5. Dispersão de sementes;
  6. Ciclagem de nutrientes;
  7. Formação de corredores ecológicos;
  8. Atividades culturais, científicas, recreativas e educacionais.

 

Tomografia e Raios X de Madeira Aplicadas em Florestas Urbanas e Plantadas

 

FLORESTAS PLANTAS E SISTEMAS AGROFLORESTAIS (SAF’S)

 

O SAF nada mais é que uma floresta plantada, onde temos combinados espécies arbóreas (frutíferas e madeireiras) com cultivos agrícolas e criação de animais. De forma simultânea ou em sequência temporal, que promovem benefícios sociais econômicos e ecológicos.

O sistema agroflorestal está inserido num conjunto de práticas que já vimos em outros artigos nossos, tais como, a rotação de cultura, plantio direto e adubação verde,.

Todas essas práticas culminam em um ponto em comum, que é a melhoria e conservação do solo.

Um exemplo bem clássico é a cafeicultura em SAF’s. Podendo aliar diversidade vegetal, conservação dos recursos naturais à produção, podendo gerar dessa forma, mercados diferenciados com maior valor agregado para o produto final.

 

Sistemas Agroflorestais (SAFs)

 

FLORESTAS PLANTADAS E A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE BRASILEIRA

 

A indústria nacional de florestas plantadas tem dado importantes demonstrações de seu comprometimento para com a biodiversidade brasileira. Dedicando recursos a pesquisas que envolvam o levantamento, monitoramento e manejo da fauna e fitossociologia, restauração da flora e gestão da paisagem.

O setor está atento a estes dados valiosos e buscam conservar a natureza e suas riquezas.

Uma vez que, estudos desenvolvidos por empresas do setor traz dados relevantes, havendo muitas razões para se comemorar que mais da metade das espécies registradas no Brasil foram encontradas nos registros das empresas florestais.

Os indicadores apontaram ainda para a existência de 161 espécies de anfíbios, 174 répteis, 241 mamíferos e uma rica flora de mais de 1570 espécies.

Além de suprir a demanda por produtos madeireiros, o setor florestal atua também na recomposição dos biomas, na implantação e manejo adequado de APPs e áreas de RL.

 

Produtos Madeireiros e Não Madeireiros

 

PRODUTOS E MAIS PRODUTOS DIRETO DA FLORESTA PARA O MERCADO

 

Destinadas, principalmente, à produção de celulose, papel, painéis de madeira, pisos, carvão vegetal e biomassa, as árvores plantadas também são fonte de centenas de outros produtos e subprodutos presentes em nosso cotidiano.

Por sua relevância para o desenvolvimento social, ambiental e econômico nacional. O setor tem investido para transformar subprodutos e resíduos dos processos industriais em produtos inovadores, renováveis e que contribuam para o fortalecimento da economia.

Quando falamos da mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, temos que a indústria brasileira de árvores é um setor de base 100% renovável. Baseada na formação e manutenção de estoques de carbono das árvores plantadas e nativas conservadas pelas empresas.

 

Qualidade e uso da madeira!

 

Em 2016, os 7 milhões de hectares de árvores plantadas no Brasil foram responsáveis pelo estoque de aproximadamente 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO²eq) – métrica utilizada para comparar as emissões dos vários gases de efeito estufa.

A atual expectativa é que em breve a utilização das tecnologias mais avançadas permita aproveitar 100% da floresta. Possibilitando novos usos, como a lignina, o etanol de segunda geração, bioplásticos, nanofibras e óleos que já estão bem difundidos no mercado.

Outro mercado é a produção de suplementos alimentares, cosméticos, embalagens e cimento de alto desempenho a partir de nanofibras.

Assim, as árvores serão também provedoras de matéria-prima para outros segmentos produtivos, como as indústrias automobilística, farmacêutica, química, cosmética, têxtil e alimentícia.

 

Óleo essencial

 

DESAFIO DO SETOR 

 

As florestas plantadas, com a utilização das mais avançadas técnicas de manejo sustentável, são responsáveis por mais de 90% de toda a madeira utilizada para fins produtivos.

 

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Outro ponto altamente relevante é sua contribuição para a conservação da biodiversidade, recuperação de áreas degradadas e geração de energia renovável.

Portanto, o setor florestal brasileiro ainda tem como desafio: intensificar a sua produção para atender à crescente demanda. Por fibras, madeira, energia e tantas novas aplicações ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento, de maneira comprometida com o manejo sustentável das florestas, ao exercer papel relevante na proteção e conservação dos ecossistemas.

Paisagem Urbana e Educação Ambiental: entenda do assunto!

Paisagem Urbana e Educação Ambiental: entenda do assunto!

Entenda tudo sobre a paisagem urbana e a educação ambiental! Descubra agora nesse artigo feito pelo professor da AgroPós!

O advento da industrialização dividiu a história da humanidade praticamente em todas as áreas do conhecimento, mas em nenhuma outra esse fato foi mais sentido do que no processo de urbanização. Após a industrialização a população urbana começou a crescer, atingindo níveis alarmantes. De modo geral, fala-se, hoje, que mais de 50% da população vivem em cidades; se a cidade tem uma economia mais industrializada que agrícola esse índice pode chegar a 80%. Isto, é claro, influencia diretamente na qualidade de vida. Para melhorar a vida urbana, o lazer e a estética são elementos essenciais, funcionando tanto fisiológica quanto psicologicamente. Assim, a vegetação urbana, quer seja em forma de praças, quer seja em forma de arborização, quer seja em forma de quintais verdes, passa a ter um papel relevante.

 

Paisagem Urbana e Educação Ambiental: entenda do assunto!

 

 

AS FLORESTAS URBANAS:

Quando se detectou a necessidade de áreas verdes nas cidades, os esforços foram envidados para áreas verdes e de lazer e para a criação de espaços públicos; sempre pensando em áreas bidimensionais. Em Paris, no século passado, o Barão Haussmann inovou com a abertura de avenidas e bulevares onde o plantio de árvores de forma linear, enfileiradas ao longo das calçadas, inaugurou o modelo de arborização urbana, hoje adotado em praticamente todas as cidades. Esse modelo prioriza o senso estético, buscando tornar as cidades mais bonitas, mais coloridas.

 

AS FLORESTAS URBANAS

 

Modernamente, a preocupação com a ecologia e com a qualidade de vida tem levado os arboricultores a buscar um novo conceito para a arborização urbana. Ecologicamente, árvores agrupadas contribuem mais para a melhoria climática que árvores enfileiradas e o conceito de arborização urbana evoluiu para o de florestas urbanas onde o “stand” passa a ser mais importante que o indivíduo arbóreo isoladamente. Nesse sentido, revestem-se de grande importância as árvores das praças, dos parques municipais e, principalmente, dos quintais.

 

 

ESTÉTICA E QUALIDADE DE VIDA:

Inegavelmente a estética é um fator importantíssimo na paisagem urbana, principalmente sob o ponto de vista psicológico. A vegetação urbana contribui para a harmonia da paisagem quebrando a dureza e a rigidez do concreto, criando linhas mais suaves e naturais e lembrando um pouco a paisagem bucólica, início natural de todo citadino. Mas, se durante muito tempo se plantou árvores nas cidades com essa finalidade, hoje o fazemos por diversos outros motivos, mais importantes às vezes que o simples valor estético.

 

 Amenização climática:

Quando se diz que o vegetal na paisagem urbana promove uma mudança de clima não se quer dizer que transformaremos o clima de uma cidade como Ubá, por exemplo, no clima de uma Campos do Jordão. Entretanto, podemos criar ilhas de amenização com o uso de vegetais, contrapondo-se às ilhas de calor criadas pelo concreto e pelo asfalto.

O vegetal atuará na amenização climática principalmente sobre três aspectos:

  • 1) interceptando os raios solares, criando áreas de sombra onde as pessoas se sentem mais à vontade e onde os carros possam ser mantidos mais frescos;
  • 2) reduzindo a temperatura ambiente, evitando a incidência direta e conseqüente reflexo do calor provocado pelo aquecimento do concreto e do asfalto;
  • 3) umidificando o ar devido à constante transpiração, eliminando água para o meio ambiente.

 

Controle hidrológico:

A água que cai sobre a cidade se dissipa de várias maneiras: parte dela retorna ao ar pela evapotranspiração; parte se infiltra no solo profundamente indo abastecer os lençóis de água do solo; parte se infiltra superficialmente abastecendo as plantas e umedecendo o solo superficial e outra parte escorre por sobre a superfície do solo. A parte que evapotranspira é importante porque vai perpetuar o ciclo da água, fazendo chover; as partes que irão para o interior do solo abastecem os rios, as represas, as nascentes e fazem crescer os vegetais; a parte que escorre sobre o solo, se é pequena, não prejudica, mas, se é intensa, causa erosões, deslizamentos, enchentes e empobrecimento do solo.

Nos solos cobertos naturalmente com vegetação ocorre muita evapotranspiração, muita infiltração e pouco escoamento superficial. Nos solos das cidades onde a vegetação foi substituída por construções e o solo foi impermeabilizado pelo cimento e pelo asfalto não existe quase nada de transpiração (embora exista evaporação), a água não se infiltra e o escoamento superficial é intenso, ou seja, quase toda a água escorre pelas ruas. Se o sistema de drenagem da cidade (bocas-de-lobo, galerias pluviais) não funciona, toda essa água ficará parada nas partes baixas da cidade. Essa é a razão pela qual bastam poucos minutos de chuva intensa para que cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte fiquem interditadas. Assim, uma cidade bem arborizada garantirá um ciclo hidrológico natural, sem problemas.

 

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Purificação do ar:

Afastando de cara a ideia do vegetal terrestre como fonte de oxigênio, pois hoje sabemos que sua contribuição é pequena (a oxigenação significativa vem do mar), podemos defender, no entanto, o uso da arborização urbana como controladora das condições do nosso ar urbano pelo menos de quatro maneiras:

  • 1) as árvores podem funcionar como filtros em que as partículas sólidas presentes no ar (poeiras) se aderem às folhas podendo ser lavadas posteriormente pelas águas das chuvas;
  • 2) a produção de oxigênio pelas árvores, embora pequena, se misturará ao ar da cidade e, de certa forma, diluirá o ar poluído circundante;
  • 3) a árvore fará uma troca com o ar da cidade já que ela pegará o gás carbônico e emitirá o oxigênio e;
  • 4) a árvore fixará em seus tecidos pelo menos parte dos componentes nocivos presentes no ar atmosférico das cidades. Estudos científicos têm demonstrado essas atuações do vegetal na despoluição atmosférica. No entanto, plantar árvores com a intenção de que elas venham a resolver o problema da poluição atmosférica urbana é esperar muito de um ser tão sensível e tão frágil.

 

Humanização:

Essa talvez seja a maior contribuição das árvores para a urbanização. O crescimento desordenado das cidades gera condições de vida subumanas, estresse, violência, enclausuramento. O vegetal atua então, psicologicamente, trazendo à lembrança as paisagens da infância vividas no meio rural, onde tudo era natural, cercado de vegetação por todos os lados.

Fisiologicamente isso se materializará no banco da praça mais próxima, sob uma frondosa árvore, onde a sombra é mais gostosa; se materializará no canto dos pássaros atraídos pelos frutos das árvores da praça ou da rua, talvez em frente à casa, bem ao lado da janela, onde ele virá cantar todas as manhãs; na referência urbana, caracterizada, talvez, pela floração da árvore postada bem no caminho do serviço ou no ponto do ônibus, avisando a chegada da primavera. Por mais que o homem seja criativo no traçado das cidades e na construção de casas diferentes, as cidades tendem a se tornar todas iguais. A vegetação é um marco diferenciador das cidades. É ela que referencia e que caracteriza. Bastam-nos lembrar, como exemplos, cidades conhecidas por suas palmeiras, por suas cerejeiras ou por seus jacarandás.

 

 

POLÍTICA DE ARBORIZAÇÃO NA PAISAGEM URBANA:

Grande parte dos trabalhos desenvolvidos pelos arboricultores na paisagem urbana, hoje, é consertar o que há de errado. A falta de um planejamento e mesmo a falta de conhecimento, levou os primeiros arboricultores ao plantio de espécies inadequadas para os sítios urbanos. O pior é que ainda se pratica muito desse erro.

Muito desse erro se deve a atitudes políticas tanto a partidária quanto a ecológica. No afã de resolver problemas ambientais e melhorar a qualidade de vida urbana, toma-se como prática corriqueira a distribuição de mudas para plantios na cidade. Na maioria das vezes essa distribuição não é acompanhada de uma orientação e, novamente, as espécies inadequadas voltam a ocupar locais inadequados. Assim, recomenda-se que a política de arborização para uma cidade seja acompanhada de uma orientação técnica e que se evite a distribuição aleatória de mudas, mormente as praticadas em ocasiões comemorativas como Semana do Meio Ambiente, Dia da Árvore, etc.

 

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM AS ÁRVORES NA PAISAGEM URBANA

Sabemos que a Educação Ambiental se faz cada vez mais necessária. Também sabemos que nossos alunos precisam de prática ao invés da absorção de conhecimentos apenas de modo teórico. Assim, a saída da sala de aula, por si só, já é um grande incentivo ao aprendizado. Entretanto, viagens longas, muitas vezes, se fazem impossíveis. A arborização urbana permite aulas de educação ambiental sem que o professor precise se deslocar com a turma para muito longe. Seguramente, no entorno da escola existirá material disponível para o aprendizado, como se verá.

 

A necessidade de planejamento:

Embora a cidade seja o local escolhido pela maioria para o estabelecimento da residência, a cidade é um ambiente hostil em termos ecológicos. DIAS (1993), já citando BOYDEN et al. (1981), compara a cidade a um grande animal sedentário que só consome, produzindo pouco e, mesmo assim, do que produz grande parte é nociva ao meio ambiente como água poluída e lixo, por exemplo.

 

A necessidade de planejamento

A cidade como um animal consumidor. Fonte: Paiva e Gonçalves (2002) conforme Dias (1993, adaptado de Boyden et al. (1981).

 

Para contrapor esses malefícios e melhorar o ambiente urbano, a vegetação é um elemento importantíssimo tanto na forma de áreas verdes como na forma de arborização, mesmo que isoladamente. Se no início a árvore foi utilizada como mero adorno, hoje ela desempenha diversas outras funções para a qualidade de vida urbana.

Mas a árvore não só traz benefícios, e os transtornos podem ser muitos se a arborização urbana não tiver sido bem planejada. Para citar apenas alguns, podemos lembrar: a quebra de calçadas pelo desenvolvimento de raízes superficiais; o conflito com a rede de distribuição de energia e com a iluminação pública; a queda sobre carros e pedestres em acidentes causados por ventos e tempestades.

Assim é que, ao planejara a arborização de uma cidade, o técnico tem de ter bons conhecimentos sobre as espécies florestais e sobre as condições locais onde será plantada a árvore. Das condições locais podemos citar, por exemplo, a largura de ruas e calçadas, a presença de fiações, a presença de redes subterrâneas como água e esgoto. Sobre as espécies é importante conhecer, por exemplo, o porte alcançado pela árvore quando adulta, como se dá o desenvolvimento de suas raízes, o tipo de fruto que ela produz.

 

O Envolvimento comunitário:

Como visto, a arborização de uma cidade deve ser feita segundo um planejamento rigoroso para evitar os malefícios e realçar os benefícios. Por outro lado, sabemos que, por mais que o poder público tenha boa intenção quanto à arborização, esta poderá ser considerado entrave na medida em que a população não gostar do serviço realizado pela prefeitura. Por essa razão, recomenda-se que o planejamento e a implantação da arborização sejam feitos, na medida do possível, com a participação da comunidade.

O envolvimento da comunidade tem, pelo menos, duas justificativas conforme apresentadas por PAIVA e GONÇALVES (2002): primeiro, porque a administração pública não pode arcar sozinha com todas as despesas; segundo, porque o plantio comunitário estabelece um vínculo entre a população e a arborização, e a adoção da árvore como um membro da família tem demonstrado que esse processo estabelece uma dependência e uma continuidade que vão além dos partidos e dos mandatos políticos.

 

O Processo educativo:

“A participação comunitária no processo de arborização de um bairro ou de uma cidade constitui um ato de cidadania e, por si só, um processo de educação ambiental” (PAIVA e GONÇALVES, 2002). Para o caso da educação formal, que é o foco principal deste artigo, sugerimos algumas atitudes ao professorado de primeiro e segundo graus para serem desenvolvidos com os alunos nas proximidades da escola:

1 – Para familiarização com as espécies mais comuns utilizadas na arborização urbana, o professor deverá fazer visitas prévias, sozinho ou acompanhado por técnicos da prefeitura, procurando reconhecer as árvores dos arredores da escola. Um bom material de ajuda são os guias ou manuais de arborização editados pelas companhias distribuidoras de energia elétrica, como a página que apresentamos a seguir, extraída do manual da CEMIG. Esses manuais costumam ser distribuídos gratuitamente pelas companhias. Quando estiver familiarizado com as espécies e com as árvores, o professor poderá levar os alunos para conhecê-las. Desse conhecimento pode derivar diversas atividades como, por exemplo:

  • eleição da árvore mais bonita;
  • exercício de redação sobre a visita e conhecimento das árvores;
  • concurso de desenho que capte as características da árvore que o aluno tenha gostado mais.

 

O Processo educativo

Exemplo de página de manual para identificação de árvores. Fonte: CEMIG (1996)

 

2 – Numa segunda visita, o professor poderá abordar com os alunos sobre os tratos dispensados às árvores como a poda, por exemplo. Novamente recomendamos ao professor um estudo sobre as maneiras corretas de se podar uma árvore e que podem ser vistas nos manuais, como as que extraímos do manual da ELETROPAULO, apresentadas a seguir. Os alunos observarão as árvores e apontarão as que estejam danificadas, quem sabe por inépcia do podador. Atividades ou perguntas que podem ser direcionadas aos alunos:

  • houve necessidade realmente da poda?
  • a poda foi bem feita? poderia ser evitada?
  • será que a árvore está plantada no lugar certo?

 

O Processo educativo

Normas para uma poda correta. Fonte: ELETROPAULO (1995).

 

 

O Processo educativo

Página mostrando aspectos de árvores podadas. Fonte: ELETROPAULO (1995)

 

3 – Em outra visita, ou, melhor ainda, em visitas sucessivas, o professor poderá solicitar do aluno a observação dos aspectos fenológicos. A fenologia diz respeito às mudanças pelas quais passa o vegetal conforme os meses ou as estações do ano, apresentadas no seu aspecto geral. Assim, por exemplo:

  • pedir aos alunos para recolherem flores, folhas e frutos;
  • observar presença ou ausência de perfumes;
  • recolher frutos (se houver); observar, pesar e medir;
  • desenhar, identificar, provar.

 

4 – Em outra visita, de preferência no verão, em dias bem quentes, sair com a turma levando pelo menos dois termômetros ou outros aparelhos de fácil leitura e observar, por exemplo:

  • a temperatura sob a árvore e a temperatura sob o sol;
  • a temperatura sob a árvore e a temperatura sob uma marquise;
  • comparar, construir relatórios, explicar as diferenças.

 

5 – Fazer uma leitura prévia do Código Florestal e depois levar os alunos para observarem uma ocupação indevida de encostas com riscos de deslizamento. Mostrar aos alunos as bocas-de-lobo das ruas para recolhimento das águas de chuva. Instigar as discussões, perguntando, por exemplo:

  • pela declividade do terreno, este não deveria ser um local vegetado?;
  • será que as bocas-de-lobo são suficientes para o escoamento da água de chuva?;
  • quantificar a presença de lixo nas bocas-de-lobo;
  • na sala de aula, mostrar fotos das tragédias advindas dessa falta de planejamento.

 

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6 – Levar os alunos para observarem a presença de fauna nas árvores urbanas, principalmente aves e insetos. Perguntar, por exemplo:

  • que árvores são preferidas por quais pássaros?;
  • em que árvores foram vistos certos tipos de insetos?;
  • tentar estabelecer algum tipo de correlação como, por exemplo, preferência por certos frutos.

 

7 – Pedir aos alunos que coletem folhas de árvores em determinados trechos da cidade. A observação detalhada dessas folhas mostrará elementos diferentes aderidos a elas. Perguntar, por exemplo:

  • que relação tem esses elementos encontrados com o entorno?;
  • por que certas folhas apresentam mais poeira que outras?;
  • tentar identificar o elemento aderida à folha.

 

8 – Pedir aos alunos para fazerem uma pequena coleção de frutos e de sementes das árvores mais próximas da escola. Perguntar, por exemplo:

  • que frutos são preferidos pelos pássaros?;
  • quais podem ser consumidos pelo homem?;
  • medir, pesar, descrever, desenhar;
  • discutir conveniência e inconveniências de frutos secos, carnosos, grandes e pequenos.

 

9 – Fazer uma explanação prévia sobre toxicidade vegetal. Levar os alunos para a rua e tentar identificar plantas tóxicas e ensinar como e por que evitá-las.

 

10 – Fazer uma aula de desenho ou de redação sobre a paisagem urbana, pedindo que o aluno desenhe um trecho de rua. Isto pode ser feito com a proximidade da casa do aluno, pedindo-se uma comparação com a proximidade da escola já estudada.

 

 

O LIMITE:

 

Como visto, as possibilidades de uma Educação Ambiental no entorno da escola, utilizando-se da arborização urbana são infinitas. Podemos dizer que o limite é a criatividade do professor.

 

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BIBLIOGRAFIA:

 

BOYDEN, S. et al. The ecology of a city and its people. Camberra: Australian National University, 1981. 437p.

CEMIG. Manual de arborização. Belo Horizonte: CEMIG, 1996. 40p.

DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1993. 400p.

ELETROPAULO. Guia de planejamento e manejo da arborização urbana. São Paulo: Eletropaulo: Cesp: CPFL, 1995. 38p.

PAIVA, H. N. de e GONÇALVES, W. Florestas urbanas: planejamento para melhoria da qualidade de vida. Viçosa; Aprenda Fácil, 2002. 180p.

O texto acima não foi uma palestra. Ele foi originalmente escrito para o livro Florestas Urbanas, publicado pela Aprenda Fácil Editora em 2001, modificado para publicação no livro Educação Ambiental de João Silvestre Rosado em 2008 e adaptado para composição deste trabalho.

Artigo escrito por Wantuelfer Gançalves.

Geoprocessamento Ambiental: o que é e como utilizar?

Geoprocessamento Ambiental: o que é e como utilizar?

Você sabe o que é geoprocessamento ambiental? Entenda como essa ferramenta funciona e suas principais aplicações.

Geoprocessamento Ambiental: o que é e como utilizar?

O geoprocessamento ambiental tem sido cada vez mais utilizado em diferentes áreas e os profissionais que dominam essa ferramenta têm destaque no mercado de trabalho.

Mas você sabe o que é o Geoprocessamento Ambiental e quais são as principais aplicações dessa ferramenta cada vez mais popular?

Neste artigo vamos conhecer as características fundamentais do Geoprocessamento Ambiental e suas principais aplicações.

 

O QUE É GEOPROCESSAMENTO AMBIENTAL?

O Geoprocessamento Ambiental é uma vertente do geoprocessamento utilizada para gerar novas informações a partir de dados ambientais georreferenciados.

Os dados ambientais relacionam-se aos componentes físicos, bióticos e antrópicos de uma determinada área ou região em estudo.

O objetivo principal dessa ferramenta é fornecer ferramentas computacionais para que os diferentes analistas determinem as evoluções espacial e temporal de um fenômeno geográfico.

As inter-relações entre diferentes fenômenos num mesmo espaço geográfico também podem ser alvo de estudo.

Assim o Geoprocessamento Ambiental possibilita maior flexibilidade, segurança e agilidade nas atividades de monitoramento, planejamento e tomada de decisão relativas ao espaço geográfico.

O QUE É GEOPROCESSAMENTO AMBIENTAL?

 

 

APLICAÇÕES DO GEOPROCESSAMENTO AMBIENTAL

O Geoprocessamento Ambiental pode ser utilizado por usuários em diferentes esferas, desde órgãos governamentais ligados à Administração Pública ou entidades particulares, pessoas físicas ou jurídicas.

Para utilizar adequadamente as ferramentas de Geoprocessamento Ambiental em projetos requer o uso de técnicas de integração de dados.

Isso porque é impossível compreender os fenômenos ambientais sem analisar os seus componentes a inter-relação entre eles.

Assim, o especialista em Geoprocessamento Ambiental precisa combinar ferramentas de análise espacial, processamento de imagens, geo-estatística e modelagem numérica, por exemplo.

Podemos elencar três grandes aplicações do Geoprocessamento Ambiental: o mapeamento temático, os estudos de impacto ambiental e o ordenamento territorial.

Vamos conhecer um pouco mais sobre cada uma delas a seguir:

 

http://materiais.agropos.com.br/webinar-tecnologias-de-geoprocessamento-aplicadas-no-monitoramento-e-manejo-de-plantas

 

ELABORAÇÃO DE MAPAS TEMÁTICOS

O Mapeamento Temático (Cartografia temática) serve para caracterizar e compreender a organização de um determinado espaço, seja ele o planeta inteiro ou uma pequena área.

O objetivo principal é gerar a representação das informações geográficas de um ou vários fenômenos físicos ou sociais.

Para tanto, a representação dos fenômenos é ajustada às referências físicas de um base cartográfica.

Assim, os fenômenos têm uma localização geográfica, seja ela real ou estimada.

Como exemplos, pode-se citar os mapas temáticos geológicos, pedológicos (de solos), de cobertura vegetal e climáticos.

Também podem ser produzidos mapas temáticos baseados em modelos de previsão.

 

USO DO GEOPROCESSAMENTO AMBIENTAL NOS ESTUDOS DE IMPACTO AMBIENTAL

O Diagnóstico Ambiental e a Avaliação de Impacto Ambiental são importantes componentes de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

Um EIA é uma exigência legal para a realização de empreendimentos de interesse econômico ou social que implicará em intervenções físicas e impactos ambientais negativos.

Assim, os projetos de aproveitamento de recursos naturais, de aquicultura, silvicultura ou agropecuária, como também a construção de rodovias e usinas hidrelétricas requerem um EIA.

No Brasil, os EIA tem sido registrados desde a década de 1930 no Brasil.

Todavia, no passado, esses estudos eram feitos especialmente para grandes obras como construção de rodovias, usinas hidrelétricas, ferrovias, portos, dentre outros.

Somente a partir de 1986 tornou-se obrigatória a elaboração do EIA e do Relatório de Impacto Ambiental para o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente.

https://materiais.agropos.com.br/pos-graduacao-gestao-ambiental

 

 

Diagnóstico ambiental

O diagnóstico ambiental da área de influência do empreendimento é composto por uma descrição completa e abrangente de todos os recursos ambientais dos meios físicos, bióticos e antrópicos.

Fazem parte do componente físico, o clima, geologia, qualidade do ar, recursos hídricos, dentre outros.

No componente biótico, podemos citar a fauna, vegetação, serviços ecológicos.

Já o componente antrópico é composto por infraestrutura, uso e ocupação do solo, organização social, dinâmica populacional e economia.

Adicionalmente, o diagnóstico ambiental deve indicar as principais características, a dinâmica e as interações entre os diversos fatores que compõem o sistema ambiental.

Diagnóstico ambiental

 

Avaliação de impacto ambiental

A avaliação de impacto ambiental (AIA) faz parte dos EIAs e é um instrumento de caráter preventivo.

Uma AIA serve especialmente, mas não unicamente, para auxiliar na seleção da alternativa de projeto mais viável em termos ambientais.

Para tanto, o responsável pela elaboração poderá coletar dados diretamente no local ou utilizar dados de fontes secundárias. São exemplos de dados de fontes secundárias:

  • Imagens de satélite;
  • Mapas de solos e das bacias hidrográficas;
  • Dados censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);
  • Dados econômicos produzidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); e
  • Dados climáticos fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE).

Com esses dados, o órgão ou pessoa responsável pelo Geoprocessamento Ambiental poderá melhor compreender e delimitar a região do estudo.

Outro exemplo seriam os estudos visando o estabelecimento de áreas de proteção ambiental (APAs).

E, finalmente, os Relatórios de Impacto Ambiental, realizados periodicamente para o acompanhamento e avaliação das medidas mitigadoras de impacto elencadas no EIA.

 

Ordenamento territorial

Outra aplicação interessante do Geoprocessamento Ambiental é o ordenamento territorial e está mais relacionado à Administração Pública.

Os trabalhos de ordenamento territorial têm como objetivo normatizar a ocupação do espaço e racionalizar a gestão do território.

Nesse contexto, o Geoprocessamento Ambiental é usado nos estudos de zoneamento pedoclimático e ecológico-econômico.

O zoneamento pedoclimático visa identificar as áreas ou regiões mais adequadas para diferentes cultivos agrícolas.

São utilizados como base dados georreferenciados de características do solo (pedológicos) e do clima (pluviosidade, radiação solar, temperaturas médias, máximas e mínimas).

Já os estudos de zoneamento ecológico-econômico têm objetivo de racionalizar os usos de recursos naturais para o extrativismo e outras ações de desenvolvimento sustentável.

Ordenamento territorial

Mais do que simplesmente reunir uma série de dados, a análise de uma região geográfica para fins de zoneamento é um estudo complexo.

O(s) especialista(s) envolvidos precisam escolher as variáveis explicativas ou preditoras e determinar qual a importância de cada uma delas.

Podem ser variáveis preditoras o tipo solo, a vegetação, o regime pluvial e a geomorfologia.

Além disso, é preciso relacionar esses preditores com as exigências edafoclimáticas da cultura, no caso dos zoneamento pedoclimático.

Ordenamento territorial

 

LIMITAÇÕES DO GEOPROCESSAMENTO AMBIENTAL

Como vimos, o Geoprocessamento Ambiental oferece várias possibilidades para processar dados ambientais e atender aos diferentes objetivos dos usuários.

Os dados oriundos de diversas fontes, reunidos e coordenados com o uso de um SIG, permitem a caracterização da forma de organização do espaço.

 

https://materiais.agropos.com.br/voce-sabe-a-importancia-do-sig

 

Também permitem compreender sua estrutura e até mesmo modelar a distribuição geográfica dos seus componentes e das variáveis em estudo.

Porém, não é possível estabelecer qual a função de cada componente somente com base nos dados armazenados.

Tampouco é possível conhecer a dinâmica dos processos e as implicações das inter-relações entre os componentes.

Assim, para o uso consistente do Geoprocessamento Ambiental, é necessário o domínio dos fundamentos teóricos do geoprocessamento, bem como uma metodologia de trabalho.

Essa metodologia deve estar associada a um modelo preditivo capaz de combinar as operações realizadas num SIG com a interpretação do especialista.

Dessa forma, mais do que conhecimento teórico-prático acerca das ferramentas tecnológicas e dos processos em estudo, é necessária uma postura ativa e crítica dos profissionais.

 

CONCLUSÕES

 

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O Geoprocessamento Ambiental pode ser utilizado tanto por entidades governamentais e Administração Pública, quanto por entidades privadas e organizações não governamentais, atendendo a diferentes objetivos.

É importante que os profissionais adotem uma postura ativa e crítica para o uso consistente do Geoprocessamento Ambiental.

Em conjunto com as geotecnologias, o Geoprocessamento Ambiental tem uma ampla aplicação em diversas áreas.

Destacamos aqui o manejo e preservação de recursos naturais, elaboração de estudos para atender à legislação ambiental, monitoramento de projetos e ordenamento territorial.

Escrito por Débora Cervieri.

Controle Biológico: como ter lavouras mais sustentáveis e rentáveis!

Controle Biológico: como ter lavouras mais sustentáveis e rentáveis!

Com você tem acompanhado aqui no blog, muitas são os insetos – praga e patógenos que podem incidir nas lavouras, causando perdas. Hoje falaremos sobre o controle biológico desses organismos.

Medidas culturais e genéticas são adotadas no estabelecimento da lavoura, mas muitas vezes são insuficientes para evitar que epidemias surjam e levem os agricultores ao uso indiscriminado de agrotóxicos.

A sociedade demanda cada vez mais por medidas de controle alternativas ao uso de agrotóxicos sintéticos pois, embora eficientes na maioria dos casos, podem levar a uma série de problemas.

Neste contexto, surge como alternativa promissora o Controle Biológico de pragas e doenças. Você sabe o que é controle biológico?

 

Controle Biológico: como ter lavouras mais sustentáveis e rentáveis!

 

 

O QUE É CONTROLE BIOLÓGICO?

 

O termo controle biológico foi utilizado pela primeira vez para se referir a inimigos naturais de alguns insetos-praga. Desde então, muito foi estudado acerca deste tema. O controle biológico pode ser definido como o uso de um organismo, ou organismos, na regulação de uma população.

Este organismo utilizado pode pertencer a diferentes classes como insetos predadores e parasitoides (para outros insetos) ou microrganismos, como vírus, bactérias e fungos (para insetos-praga e patógenos).

 

https://materiais.agropos.com.br/saiba-mais-sobre-mosca-branca

 

AGENTES DE CONTROLE BIOLÓGICO DE INSETOS-PRAGA

 

Parasitóide

 

Parasitoide é um organismo que parasita um hospedeiro e completa o seu ciclo de vida matando este hospedeiro. Os adultos são de vida livre, mas as larvas parasitam outros insetos. A maioria dos inimigos naturais deste grupo são das ordens Hymenoptera e Diptera.

Os parasitoides mais utilizados para o controle de insetos-praga são as vespas Cotesia e Tricogramma, controlando pragas importantes como a lagarta do cartucho em milho e a broca da cana, por exemplo.

 

 

ParasitóideFonte: Agropós-2020                             Fonte: Agropós-2020

 

Predadores

 

Predadores são insetos de vida livre e que apresentam comportamento predatório, se alimentando de outros insetos. Requerem um grande número de presas para completar o seu ciclo de vida.

Os insetos predadores pertencem principalmente às ordens Hymenoptera, Diptera, Coleoptera e Hemiptera, sendo a joaninha um exemplo clássico de inseto predador. Ela preda diversas pragas, dentre elas vários pulgões que atacam espécies de interesse agronômico.

 

https://materiais.agropos.com.br/videoaula-diagnose-fungos-prof-acelino

 

Patógenos

 

São microrganismos que causam doenças em insetos praga, vivendo esse alimentando destes, levando-os à morte. Neste grupo estão incluídos fungos, bactérias e vírus. O fungo Beauveria e os vírus do gênero Baculovirus, muito utilizados para controle de lagartas, estão nessa classe de organismos.

 

 

PatógenosFonte: Agropós-2020                                       Fonte: Agropós-2020

 

 

AGENTES DE CONTROLE BIOLÓGICO DE PATÓGENOS

 

Os microrganismos patogênicos a plantas, são controlados por outros microrganismos, como fungos, bactérias e vírus. Esses microrganismos podem agir controlando doenças em parte aérea ou doenças de solo.

Sem dúvida, os agentes de controle biológico de doenças mais utilizados pertencem ao gênero fúngico Trichoderma e ao gênero bacteriano Bacillus. Trichoderma é um gênero de fungos habitante de solo, que pode controlar outros fungos por diferentes mecanismos.

Parasitismo, competição e antibiose são os principais mecanismos de controle biológico de patógenos. No parasitismo um organismo obtém parte ou todo do seu alimento às custas do outro organismo.

Na competição, um dos organismos é mais eficiente em aproveitar os recursos do meio. Eles competem entre si por agua, luz, nutrientes, espaço, oxigênio, dentre outros.

Já a antibiose é o mecanismo no qual um organismo produz substancias que tem efeitos danosos ao outro. Essas substancias podem ser voláteis ou não.

 

 

AGENTES DE CONTROLE BIOLÓGICO DE PATÓGENOS

Trichoderma spp. Imagem: yed Ali Nusaibah e Habu Musa.

 

TIPOS DE CONTROLE BIOLÓGICO

 

O controle biológico de praga pode ser dividido em natural, clássico e o artificial. Vamos entender mais sobre eles?

No controle biológico natural são utilizados os inimigos naturais já existentes no ecossistema. Isso pode ser feito pela preservação de matas nativas próximas aos cultivos ou pela utilização de inseticidas seletivos.

No controle biológico clássico o foco é controlar pragas exóticas e para isso são introduzidos inimigos naturais por algumas vezes no local, como medida de controle a longo prazo.

O controle biológico artificial consiste da criação massal e aplicação de inimigos naturais em grande quantidade, o que faz com que este tipo de controle tenha ação mais rápida, semelhante a inseticidas químicos.

 

https://materiais.agropos.com.br/ebook-tecnologias-que-agregam-qualidade-a-pulverizacao

 

 

VANTAGENS DO CONTROLE BIOLÓGICO NA AGRICULTURA

 

Os inimigos naturais que são utilizados como agente de controle biológico são organismos que não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o agricultor e consumidor e protegem a biodiversidade. Não contaminam os alimentos e ambiente.

 Além disso, o uso de agentes diminui o risco de seleção de organismos resistentes, como ocorre no controle químico. A ausência de período de carência entre a liberação do inimigo natural e a colheita é outra vantagem notável do controle biológico.

 

REGULAMENTAÇÃO DE AGENTES DE CONTROLE BIOLÓGICO

 

Os agentes de controle biológico são regulamentados pela lei Lei número 7.802, de 11 de julho de 1989, a mesma que regulamenta os agrotóxicos de origem química.

As solicitações de registro para estes produtos devem ser submetidas à Anvisa, MAPA e Ibama e os produtos à base agentes de controle biológicos são avaliados de maneira diferente dos demais produtos desta lei.

São solicitadas informações como qualidade biológica, eficiência, efeitos na saúde humana, dentre outros. Além disso, esses produtos, diferente dos pesticidas químicos, são registrados para o alvo biológico e não para a cultura.

 

MERCADO DE BIOLÓGICOS

 

Nos últimos anos, a nível mundial e também no Brasil, vem aumentando o número de produtos biológicos registrados para o controle de doenças e pragas.

Segundo o Ministério da Agricultura, no último ano, o mercado brasileiro de defensivos biológicos cresceu mais de 70%. Este percentual supera o crescimento apresentado pelo mercado internacional, que ficou em 17%.

O clima tropical e o cultivo diversificado do nosso país, nos coloca em uma posição privilegiada, tornando possível a adoção desta estratégia em lavouras de diversas culturas, atendendo aos anseios da população por uma agricultura mais sustentável.

 

CONCLUSÕES

 

https://agropos.com.br/pos-graduacao-em-avancos-no-manejo-integrado-de-pragas/

 

Sempre que possível, devido às suas inúmeras vantagens, é recomendado utilizar o controle biológico como uma medida dentro do Manejo integrado. Este é um mercado em plena expansão no Brasil e no mundo, que está nos proporcionando uma agricultura mais sustentável.

Escrito por Nilmara Caires.

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