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Uma árvore que, aos poucos, ganha espaço pelos campos do Brasil. Esse é o cedro-australiano, cultivado para a produção de madeira. Se quer saber mais sobre esse assunto, continue a leitura. Neste post vamos abordar tudo sobre esse assunto.

Venha Comigo!

 

CEDRO AUSTRALIANO

 

O cedro australiano (Toonaciliata var. australis) está no grupo das espécies mais valiosas para a produção de matéria-prima para as indústrias moveleiras e da construção civil.

Também é indicada para produtos que necessitam de acabamento de alto nível, como: portas e janelas, molduras, móveis e objetos, instrumentos musicais, laminados.

Isso porque as propriedades biológicas, físicas e mecânicas da madeira dessa espécie são semelhantes às de outras espécies de Meliaceae, notadamente aquelas pertencentes aos gêneros Cedrela (cedro brasileiro) e Swietenia (mogno brasileiro).

Neste post vamos abordar sobre tudo sobre esse assunto.

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Pós-Graduação em Inventário Florestal

 

Contexto Histórico

Originário das regiões tropicais da Austrália, até 1910 já havia sido verificada a extinção genética e econômica da espécie no continente australiano, devido ao grande valor da madeira e de seus múltiplos usos na Austrália e Europa, para onde grande parte da madeira foi exportada.

Nos dias atuais a espécie ocorre apenas em áreas de preservação na Austrália, assim como outras meliáceas famosas, como o mogno e o cedro rosa, é uma das espécies arbóreas mais ameaçadas de extinção no mundo.

 

Cedro Australiano1

(Fonte: Campos e Negócios, 2014)

 

Foi introduzida no Brasil pela antiga Aracruz Celulose na década de 70 e adaptou-se muito bem no país, onde encontrou excelentes condições para o seu desenvolvimento, principalmente no sul da Bahia onde foi inicialmente inserida e em toda a Região Sudeste.

 

Importância

Uma espécie de crescimento rápido a mediano, com excelente potencial de produção. Tem excelente utilização para serraria e grande potencial para indústria moveleira. Assemelha-se muito às espécies americanas do gênero Cedrela P.Br., tanto botanicamente quanto no que diz respeito ao seu uso.

 O sucesso do seu cultivo está condicionado a fatores, como a fertilidade do solo, a escolha do material genético para cada região de foco de produção e técnicas silviculturais adequadas.

A espécie já apresenta um excelente trabalho realizado no melhoramento genético, o que ajudou a corrigir graves problemas que vinham trazendo resultados negativos ao plantio comercial da espécie produzida com material seminal.

Madeira

Sua madeira do cedro australiano é similar à do cedro brasileiro (Cedrela fissilis), nativo do Brasil, indicada para a fabricação de móveis finos e acabamentos em construção civil.

É uma madeira rara que apresenta características interessantes nos quesitos de trabalhabilidade, baixa retratibilidade, estabilidade dimensional, resistência mecânica, leveza e beleza visual.

Seu uso é indicado para uma grande quantidade de produtos, como movelaria, acabamentos finos em construção civil, portas e janelas, laminação, molduras, instrumentos musicais, entre outros.

Por esses motivos, o cultivo da espécie tem se expandido no país, com a finalidade de produção de madeira nobre para serraria e laminação.

 

Características do Cedro australiano

Árvore caducifólia, perdendo toda a folhagem entre maio e julho. Floresce de setembro a novembro, frutifica entre dezembro e fevereiro. Apresenta altura de 20 a 35 m de nas florestas naturais. Possui tronco reto e cilíndrico, com excelente forma para produção de madeira.

 

Cedro Australiano2

(Fonte: Dancruz Plantas, 2021)

 

A espécie está inserida no grupo das espécies mais valiosas para a produção de matéria-prima para as indústrias moveleiras e da construção civil. As propriedades biológicas, físicas e mecânicas da madeira dessa espécie são semelhantes às de outras meliáceas, como o mogno e o cedro rosa.

Características Silviculturais

No Brasil o cedro australiano encontrou condições favoráveis e tem se desenvolvido muito bem em vários estados (SP, MG, DF, ES, RJ, MS, BA), com produtividades entre 12 a 25 m³ por hectare/ano.

Devido à coloração clara que pode variar do vermelho ao amarelo castanho e de sua leveza, a espécie é uma das substitutas do cedro e mogno brasileiro, também sendo excelente alternativa para a substituição de muitas espécies, como a balsa e outras madeiras leves e claras.

Nunca foram observados ataques da broca da gema apical (Hypsipyla grandella) no Brasil desde que o cedro australiano foi introduzido. Por esta razão a Toona é considerada resistente a esta praga que causa grandes danos ao cedro e mogno.

 

Métodos de Melhoramento Genético Florestal

 

Plantio de cedro australiano

Existem algumas recomendações no plantio de cedro australiano, segue abaixo as sugestões:

 

Preparo do solo

O sistema de cultivo recomendado é o de menor revolvimento do solo, com práticas conservacionistas nas quais procura-se manter o solo sempre coberto por plantas em desenvolvimento e por resíduos vegetais.

 Essa cobertura tem por finalidade protegê-lo do impacto das gotas de chuva, do escorrimento superficial e da erosão hídrica e eólica.

Antes do plantio, proceda ao controle de plantas invasoras (através da capina, roçada ou controle químico). O combate a formigas e cupins deve ser iniciado antes do plantio, e continuar por pelo menos 18 meses.

 

Preparo do solo

 

O cuidado constante com este combate é uma prática fundamental para o sucesso da formação da lavoura. Em áreas com declive o plantio deve ser realizado em curvas de nível para evitar a erosão do solo, que pode prejudicar o crescimento das mudas.

Quando o declive for acentuado, o coveamento deve ser feito alinhado morro a baixo, facilitando desbastes e a remoção das árvores no corte. Práticas de queimada do material vegetal obtido na roçada devem ser evitadas.

 

O plantio

Padrão das mudas para o plantio são aquelas com raízes claras e bem formadas; substrato bem agregado; caule com pelo menos 3mm de diâmetro; no mínimo 3 pares de folhas sadias e bem desenvolvidas.

O plantio deve ser realizado logo após a chegada das mudas na propriedade. Se as mudas precisarem aguardar por algum tempo antes de serem plantadas, por exemplo, em caso de veranicos, é altamente recomendada a construção de um viveiro de espera a pleno sol.

 

Plantio de Cedro Australiano

(Fonte: Valor Econômico)

 

 Trata-se de uma estrutura simples que garante o correto armazenamento das plantas, facilitando a irrigação e promovendo o arejamento das mesmas, além de evitar o contato das raízes com o solo. O preparo das mudas para o plantio começa com a poda do excesso de raízes na extremidade do tubete.

Em seguida, é indicado o tratamento das raízes contra cupins através da imersão dos tubetes em solução preparada para esta finalidade. Após a imersão e encharcamento do substrato, as mudas podem ser retiradas dos tubetes e plantadas.

 

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Recomendações de calagem e adubações

Deve-se ter o cuidado de não generalizar para o Cedro Australiano as recomendações de adubação adotadas em outras culturas (eucalipto, por exemplo), pois são espécies distintas em relação à demanda de fertilidade e nutrição de plantas.

A calagem deve ser feita em área total. É indicado o uso do calcário dolomítico (> 12% de MgO) visando elevar a saturação por bases para 60% na camada de 0-20 cm. A análise de solo da camada de 20-40 cm irá definir a necessidade ou não da aplicação do gesso.

 Em áreas não mecanizáveis recomenda-se a dose de 200 gramas de calcário e/ou gesso por cova. Consulte um técnico qualificado antes de usar qualquer corretivo ou fertilizante.

 

Recomendações de calagem e adubações

(Fonte: Sitio Vitoria Regina)

 

Adubação de plantio consiste da aplicação de 350 gramas por cova de superfosfato simples como fonte de fósforo e enxofre, sendo este último um nutriente limitante ao desenvolvimento da cultura. Esta aplicação deve ser efetuada de uma única vez, por ocasião do plantio.

Em geral utiliza-se também um fosfato de menor reatividade (29% de fósforo total, 9% solúvel) no fundo da cova ou sulco de plantio. Neste caso, a dose sugerida é de 250 gramas por planta.

As adubações de cobertura devem ser parceladas em pelo menos três vezes, aos 30, 60 e 90 dias após o plantio, de preferência em dias chuvosos, com a aplicação de uma dose média de 50 gramas de 20-00-20 por cova (em cada adubação), totalizando 150 gramas do produto ao final da 3ª adubação.

 

Colheita do Cedro australiano

O corte do cedro australiano ocorre aproximadamente aos 12 anos, podendo ser antecipado para 10 anos ou adiado, dependendo das condições específicas do povoamento e da finalidade da madeira.

Sua produtividade média, aos 10 anos, é de 150m3 ha-1, após desbaste para produção de madeira serrada. A implantação da espécie é atualmente estimada em R$ 3.088,00 por hectare, conforme a localização da propriedade e, especialmente, as condições do terreno.

 

Corte do Cedro Australiano

(Fonte: Campo e Negócios, 2015)

 

O custo de manutenção é baixo mas o custos com a colheita e transporte são os mais altos de todo o processo, variando conforme a declividade do terreno e a fase da colheita (desbaste ou corte final).

A colheita e o transporte florestal podem representar mais da metade do custo final da madeira colocada no mercado consumidor.

 

Conclusão

O cultivo econômico de cedro australiano (Toona ciliata) representa importante alternativa para o fornecimento de madeira de qualidade, contribuindo com a geração de mais um aporte econômico para o país e com a redução da velocidade de exploração das matas nativas ainda existentes.

Por esses motivos, o cultivo da espécie tem se expandido no país sendo plantado em vários estados do Brasil.

Neste artigo mostramos a importância do cedro australiano e algumas recomendações no plantio e colheita. Gostou de saber mais sobre o assunto?  Deixe seu comentário e acompanhe nosso blog e fique por dentro dos próximos artigo.

 

Michelly Moraes