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O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, perdendo apenas para os Estados Unidos. No entanto, as doenças da soja que ocorrem nas lavouras, podem levar a perdas incalculáveis.

Sem dúvidas, a ferrugem asiática é a doença mais limitante para a cultura da soja, porém existem outras doenças da soja que incidem em todas as fases e que se não adequadamente manejadas podem causar perdas de até 100%. Vamos conhecer mais sobre elas?

 

PERÍODO DE OCORRÊNCIA DAS DOENÇAS DA SOJA

 

O ciclo de uma planta de soja é dividido em fases vegetativas e reprodutivas, indo da emergência até a maturação plena. Algumas doenças da soja ocorrem somente no início ou fim do ciclo, outras incidem durante todo o período das plantas no campo.

Falaremos agora das principais doenças da soja, quais os seus sintomas, como maneja-las, seguindo a ordem de ocorrência.

TOMBAMENTO OU DAMPING-OFF

 

No início da cultura, logo após a semeadura, é possível ocorrer falhas no estande, devido a plantas que tombaram ou não emergiram. Isso acontece principalmente, quando o plantio é realizado em período chuvoso.

Essa doença é causada por patógenos de solo, como o fungo Rhizoctonia sp. e o oomiceto Phytium sp., que são favorecidos em solo com alta umidade. Eles são extremamente agressivos e matam o seu hospedeiro rapidamente.

O tombamento na cultura da soja é controlado principalmente pelo tratamento de sementes com fungicidas e pela descompactação do solo, melhorando sua drenagem.

 

TOMBAMENTO OU DAMPING-OFF

Falhas por tombamento ou Dumping-Off

 

SEPTORIOSE OU MANCHA-PARDA

 

Essa doença da soja é caracterizada por lesões de coloração parda nas folhas, que formam manchas com halos amarelados e de formato irregular.

Esta doença é causada pelo fungo Septoria glycines e é uma das primeiras a aparecer nos campos de soja. Quando a severidade da doença é muito grande, leva à desfolha e a maturação precoce.

Para controlar esse fungo, a rotação de culturas é recomendada. Isso faz com que haja uma redução no inoculo para o próximo ciclo. Em casos de severidade muito alta, no entanto, o controle químico pode ser recomendado.

 

SEPTORIOSE OU MANCHA-PARDA

Manchas de septoria em folhas de soja. Foto: C. Grau.

 

ANTRACNOSE DA SOJA

 

A antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum truncatum, é uma doença que pode incidir durante quase todo o ciclo da soja e é caracterizada por manchas de coloração castanho escuro a negras em folhas, pecíolos e vagens.

 

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Quando o fungo incide no início do ciclo, pode ocasionar tombamento de mudas. Em fases mais avançadas, causa desfolha e abortamento das vagens.

O uso de sementes sadias e tratadas com fungicidas é a principal medida de controle para esta doença. Esta medida visa evitar a introdução do patógeno na área. A rotação de culturas é uma medida eficiente para reduzir inoculo para as próximas safras. Além disso, existem cultivares resistentes à essa doença.

 

ANTRACNOSE DA SOJA

Sintomas de antracnose em campo de soja. Foto: Daren Mueller

 

MANCHA ALVO

 

Essa doença é causada pelo fungo Corysnespora cassicola e tem levado a perdas que variam de 15 a 25% na maioria das safras.

O sintoma marcante dessa patologia é a presença de manchas foliares de coloração amarronzadas que possuem halos concêntricos circulares, semelhantes a um alvo, daí o nome da doença. Os sintomas podem se iniciar ainda no período vegetativo da cultura. Quando a severidade é elevada, pode ocorrer coalescência de lesões e desfolha.

Os cultivares de soja variam em resistência à essa doença. Assim como as outras manchas foliares já citadas neste texto, o manejo desta doença inclui o uso de sementes sadias, tratadas com fungicidas, a rotação de culturas e a aplicação de fungicidas quando a severidade a doença seja alta.

 

MANCHA ALVO

Mancha alvo em folha de soja. Fonte: Fonte: www.dirceugassen.com

MOFO BRANCO

 

Quando medidas de manejo não são adequadas, o mofo branco pode levar a perdas de até 100% na cultura da soja. Esta doença é causada pelo fungo Slcerotinia sclerotiorum.

A soja é mais suscetível ao mofo branco na fase de floração. Os sintomas da doença são bem característicos, iniciando por lesões encharcadas, que escurecem para coloração marrom, com intensa produção de micélio de coloração branca.

Após algum tempo, este micélio transforma-se em escleródios. Essas estruturas do fungo de coloração amarronzada podem variar de alguns milímetros a centímetros e são capazes de resistir no solo durante muitos anos.

 

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Para manejar o mofo branco é necessária a adoção de diversas medidas simultaneamente. O uso de sementes sadias é a primeira delas. O tratamento das sementes com fungicidas protege a plântula nas suas fases iniciais quando a inoculo que já esteja presente no solo.

Esse patógeno possui uma gama de hospedeiros muito grande, o que restringe o seu manejo por rotação de culturas. A rotação de culturas deve ser realizada com gramíneas, sendo assim medida eficiente no manejo.

Em plantio direto, a presença da palhada no solo, inibe a entrada de luz e dispersão de esporos produzidos por apotécios do fungo.

Nos últimos anos, o controle biológico tem sido adotado para o manejo desta doença com sucesso.

 

MOFO BRANCO

Micélio cotonoso se coloração branca em hastes de soja. Foto: Damon Smith, University of Wisconsin Madison.

 

FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA

 

É a doença mais severa da cultura, levando a perdas de até 80%, e pode ser encontrada em todas as regiões produtoras de soja do país.

Essa doença da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é favorecida quando ocorrem períodos longos de molhamento foliares temperaturas entre 18 e 28°C.

 Os primeiros sintomas aparecem nas folhas inferiores e são manchas de coloração castanha alaranjada a castanha clara.

Os sintomas da ferrugem asiática surgem na fase reprodutiva de floração. No entanto, é após o fechamento do dossel que a doença ganha mais força. Se não manejada adequadamente, leva à desfolha precoce.

Para manejo efetivo, é preferível escolher utilizar sempre cultivares com resistência ou tolerância.

 

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Além disso, a cultura deve ser semeada em época adequada como estratégia de escape. Isso reduz o número de aplicações de fungicidas.

O uso de fungicidas é bastante comum para controlar esta doença. Existem diversos produtos registrados e a recomendação é que se alterne o modo de ação entre as aplicações.

 

FERRUGEM DA SOJA

Sintomas da ferrugem asiática da soja na face superior e inferior da folha e lavoura de soja com incidência de ferrugem.

 

NEMATOIDE DAS GALHAS E NEMATOIDE CISTO DA SOJA

 

Aqui neste artigo falamos com detalhes sobre os nematoides que atacam a cultura da soja. Eles podem incidir em todo o ciclo da cultura. Os principais gêneros que infectam esta cultura são Meloidogyne, Heterodera e Pratylenchus.

Os nematoides que incidem nas raízes da soja causam sintomas reflexos na parte aérea semelhantes. Os sintomas incluem deficiência nutricional, nanismo, murcha, amarelecimento, dentre outros.

O manejo de nematoides em soja passa pelo uso de sementes sadias, rotação de culturas e uso de cultivares resistentes ou tolerantes.

 

NEMATOIDE DAS GALHAS E NEMATOIDE CISTO DA SOJA

Falhas em estande de soja devido ao ataque de nematoides.

 

CONCLUSÕES

 

Neste texto tratamos dos principais patógenos que afetam a cultura da soja no Brasil, seus sintomas e o manejo adequado.

O uso de sementes sadias é uma medida que contribui com a sanidade da lavoura, pois é efetivo para evitar a entrada de diversos patógenos. Além disso, para diversos patógenos existem cultivares resistentes.

Não existe uma formula única para lavoura de soja saudável, cada doença existe um plano de manejo adequado. Fique atento para reconhece-las!

Nilmara Caires
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