(31) 9 8720 -3111 [email protected]

Os herbicidas são classificados de acordo com características de cada um, permitindo estabelecer grupos afins com base na seletividade, época de aplicação, translocação, estrutura química e o mecanismo de ação. Neste artigo vamos abordar tudo sobre essa translocação e os herbicidas de contato.

Venha Comigo!

 

Herbicida de contato

 

Todo plantio principal pode acabar concorrendo por nutrientes com plantas daninhas, isso faz com que os nutrientes da terra sejam divididos entre as culturas. Dessa forma, o plantio principal é prejudicado, tanto no crescimento quanto na produtividade.

É aí que entra a ação dos herbicidas, um dos tipos de agrotóxico ou defensivo agrícola que permite ao produtor rural usar melhor todos os nutrientes da terra, garantindo que a cultura não sairá prejudicada.

O fato é que existem diversos tipos de herbicida, abaixo vamos falar tudo que você precisa saber sobre os tipos e translocação.

 

Fitossanidade

 

Afinal, o que é Herbicida?

Os herbicidas são substâncias químicas ou agentes biológicos micro ou macroorganismos vivos que matam ou suprimem o crescimento de espécies específicas de plantas.

A função dos herbicidas nas lavouras é como um método de controle para plantas daninhas. Estas espécies competem com as culturas por água, luz e nutrientes o que, consequentemente, prejudica o desenvolvimento dos vegetais.

 

Aplicação de herbicida

(Fonte: Mais Soja, 2019)

 

Além disso, as plantas daninhas também podem ser hospedeiras de pragas e organismos que podem causar doenças nos cultivares.

Doente, a lavoura tem seu desenvolvimento prejudicado, o que afeta sua produção e leva a um maior controle químico, com a aplicação de defensivos agrícolas.

 

Herbicidas: aspectos positivos e negativos

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as perdas estimadas causadas pelas plantas daninhas podem chegar a mais de 90% caso nenhum controle seja realizado. Abaixo vamos citar alguns aspectos positivos e negativos com o uso dos herbicidas;

 

Aspectos Positivos

  • Previne a interferência precoce;
  • Controle efetivo nas linhas de semeadura;
  • Flexibilidade quanto a época de aplicação – áreas extensas;
  • Redução do tráfego de máquinas;
  • Rendimento operacional elevado;
  • Menor necessidade de mão de obra.

 

Aspectos Negativo

  • Necessidade do uso de equipamentos adequados, o que é um investimento elevado;
  • Mão de obra capacitada, a falta de capacitação de funcionários e produtores induz a uma aplicação inadequada;
  • Todos os herbicidas apresentam algum nível de toxidez para o ser humano e o ambiente, muito embora a tendência futura é ter uma queda cada vez maior;
  • herbicida pode permanecer no ambiente por um longo período, podendo causar prejuízos a espécies cultivadas em rotação.

 

Seletividade dos herbicidas

Classificação importante, uma vez que ela se baseia em quais plantas são afetadas por determinado herbicida e quais não. São eles:

  • Herbicida seletivo: Podem ser seletivos para a cultura, ou seja, quando aplicados não causa danos à mesma. Porém, podem ser seletivos às próprias plantas daninhas, ou seja, afeta apenas um grupo de plantas daninhas sem causar danos a outro.
  • Herbicidas não seletivos: São aqueles com um amplo espectro de ação, afetando todas ou a maior parte das plantas daninhas.

Translocação: Herbicida de contato e Sistêmico

Nesta classificação, os herbicidas são categorizados quanto à translocação. Este termo se refere ao modo como ocorre o deslocamento da substância ao interior da planta. Existem, então, dois tipos de herbicidas de translocação:

 

 

Herbicida de Contato

Os herbicidas podem ser de contato quando atuam próximo ou no local onde eles penetram nas plantas; exemplos: paraquat, diquat, lactofen, etc.

O simples fato de um herbicida entrar em contato com a planta não é suficiente para que ele exerça sua ação tóxica. Ele terá necessariamente que penetrar no tecido da planta, atingir a célula e posteriormente a organela, onde atuará para que seus efeitos possam ser observados.

Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema, pelo floema ou por ambos. Veja os tipos abaixo;

 

Paraquat

O paraquat é um sal solúvel em água que desseca rapidamente todo o tecido verde no qual entra em contato, amplamente utilizado em agricultura, não é volátil, explosivo ou inflamável em solução aquosa.

Geralmente é comercializado como Gramoxone, Gramocil, Agroquat, Gramuron, Paraquat, Paraquol e também em misturas com outros princípios ativos, como o Secamato. Os seus sais são eletrólitos fortes que, em solução, dissociam-se em uma grande quantidade de íons positivos e negativos.

 

Herbicida Paraquat

 

Paraquat é um herbicida muito usado em várias culturas como: fumo, algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, maça, soja, uva, abacaxi

 

Diquat          

Diquat é um herbicida não seletivo e dessecante de ação por contato, apresentado na forma de concentrado solúvel, pertencente ao grupo químico bipiridílio.

 

Herbicida Diquat

O diquat  é um ingrediente ativo que atua da mesma forma que o paraquat nos cultivos, principalmente de soja. Nesse modo de ação, é a única alternativa semelhante, mas a grande questão é o custo, pois a diferença é bem significativa.

 

Lactofen

O lactofen, herbicida do grupo dos difenil éteres, é indicado para uso na cultura da soja, em pós-emergência, devido sua eficácia no controle de plantas daninhas latifoliadas.

 

Herbicida Sistêmicos

Os herbicidas também podem se movimentar (translocar) nas plantas pelo xilema, pelo floema ou por ambos. Quando o movimento (translocação) do herbicida é via floema ou floema e xilema, ele é considerado sistêmico.

Estes herbicidas sistêmicos são capazes de se translocarem a grandes distâncias na planta, como é o caso de 2,4-D, glyphosate, imazethapyr, flazasulfuron, nicosulfuron, picloram, etc.

 

Checklist agrícola

 

Época de plantio

 

Pré-plantio

Pré-plantio, pré-plantio incorporado (PPI). A finalidade é controlar a população inicial de plantas daninhas. A maioria produtos não seletivos para a cultura, produtos voláteis, de curto residual. Muito utilizados como dessecantes.

 

Pós-plantio

Pré-emergência, pós-emergência (cultura e plantas daninhas). Seletivos ou não: Forma de absorção do produto (raiz ou folhas).

 

Mecanismo de ação

No mecanismo de ação, a classificação dos herbicidas considera o primeiro evento metabólico nas plantas onde eles atuam, ou seja, após a aplicação das substâncias.

Diferentemente do mecanismo de ação, o modo de ação engloba todo o comportamento dos herbicidas do seu primeiro contato com as plantas à manifestação final dos seus efeitos tóxicos.

 

Classificação dos herbicidas segundo o mecanismo de ação

  • Enzimáticos: quando o herbicida atua em enzimas específicas do metabolismo das plantas;
  • Não-enzimático: atua diretamente no metabolismo das plantas, sem que haja associação a enzimas específicas.

Essas categorias podem ainda ser divididas em alguns subgrupos:

Enzimáticos

  • Os Inibidores da ACCase;
  • Inibidores da ALS ou AHAS;
  • Os Inibidores da biossíntese de carotenoides, subdivididos em: inibidores da HPPD e inibidores da síntese de carotenoides com ação em enzima desconhecida
  • Inibidores da EPSPs;
  • Inibidores da GS;
  • E os Inibidores da PROTOX (ou PPO).

 

Não-enzimáticos

  • Mimetizadores de auxinas;
  • Os Inibidores da biossíntese de lipídeos (não-ACCase);
  • Inibidores da divisão celular, subdividisos em: inibidores do arranjo de microtúbulos e inibidores da biossíntese de ácidos graxos de cadeia muito longa
  • Inibidores do FSII;
  • E os Inibidores do FSI.

 

E quanto aos cuidados na hora de aplicar herbicidas?

Como todo defensivo agrícola, o uso deve ser cuidadoso para não provocar danos ao meio ambiente e a quem faz o manejo do herbicida. Por isso, é importante considerar algumas medidas:

  • usar de EPIs e pulverizadores apropriados;
  • conhecer o solo, as daninhas da região e o tipo de cultura a fundo, para que sejam usados os herbicidas corretos;
  • ler o rótulo dos produtos e fazer o manejo de acordo com as recomendações;
  • jogar fora as embalagens dos herbicidas de acordo com as boas práticas, evitando a contaminação do ambiente e de quem cuida do lixo;
  • conhecer a melhor época de aplicação, já que o controle das daninhas pode ser feito por etapas;
  • entender a necessidade de usar adjuvantes agrícolas com os herbicidas, garantindo melhor eficácia de aplicação.

Conclusão

O uso de herbicidas de contato ainda é o mais comum e, em alguns pontos de vista, o mais viável, principalmente quando se trata de grandes culturas.

É necessário ter conhecimento sobre as classificações dos herbicidas e utilizar uma ou mais para escolher o herbicida de contato mais adequado.

O cuidado com o manejo, armazenamento e descarte das embalagens dos herbicidas devem ser realizados rigorosamente. O ideal é seguir as instruções que vem no produto. Em caso de dúvidas procure um profissional da área.

Se você gostou desse conteúdo e te ajudou e esclareceu suas dúvidas. Comente e compartilhe em suas redes sociais!

 

Fitossanidade

 

Michelly Moraes