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Na Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), é estabelecido o cultivo da espécie florestal com espaçamento ampliado nas entrelinhas, possibilitando a implantação de uma cultura de interesse comercial na região.

 

ILPF

Foto: SENAR

 

Após colheita, há a implantação da cultura forrageira para o pasto nas entrelinhas da floresta cultivada, permitindo a implantação da atividade de pecuária e a sua exploração até o corte da madeira.

Neste post teremos alguns esclarecimentos sobre a adoção deste sistema, que vem como uma ótima proposta de diversificação da produção na propriedade.

Boa leitura!

 

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O que é o Sistema ILPF?

O aumento populacional mundial tem gerado crescente demanda por matérias-primas, alimentos, fibras e agroenergia, consequentemente forte pressão sobre os preços desses produtos.

Uma maneira de produção de alimento de forma eficiente é através da adoção do Sistema Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF).

A ILPF, consiste na implantação de diferentes sistemas produtivos de grãos, fibras, carne, leite e outros na mesma área, em plantio consorciado, sequencial ou rotacionado.

Esse sistema aproveita as sinergias existentes no ambiente, aliado a práticas conservacionistas como o Sistema Plantio Direto (SPD). É uma alternativa econômica e sustentável para recuperar áreas de pastagens degradadas.

Estudos técnico-científicos e experiências de produtores mostram que a implantação da ILPF resulta em importantes benefícios econômicos, ambientais e sociais.

Este é um tipo de sistema agroflorestal diversificado, no qual se implanta a pastagem utilizando-se diferentes espécies de gramíneas nativas ou exóticas. Que podem ser consorciadas com leguminosas rasteiras ou arbustivas, juntamente com espécies de árvores, preferencialmente nativas da região.

Destaca-se que, além de melhorar o ambiente para a produção animal, esses sistemas têm grande potencial para produzirem boa diversidade de serviços ambientais.

A escolha das espécies de árvores é muito importante, pois pode render lucros com a venda de produtos florestais não madeireiros ou outros produtos com valor agregado, da madeira, além de outras possibilidades de geração de renda.

 

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Benefícios e limitações do Sistema ILPF

Na ILPF as árvores proporcionam uma melhoria climática no ambiente da pastagem, o capim permanece verde e palatável por mais tempo, inclusive na época de seca.

Os animais têm mais conforto em relação à pastagem aberta e ficam menos estressados.

Desta forma, o gado neste ambiente mais ameno, responde com maior produtividade de carne ou leite.

Os resultados obtidos com a ILPF apontam que ela é uma alternativa economicamente viável, ambientalmente correta e socialmente justa para o aumento da produção de alimentos seguros.

Este sistema possibilita a diversificação de atividades na propriedade, a redução dos riscos climáticos e de mercado, a melhoria da renda e da qualidade de vida no campo.

Sem contar que contribui na mitigação do desmatamento, para a redução da erosão, para a diminuição da emissão de gases de efeito estufa e para o sequestro de carbono.

Enfim, possibilitando a produção sustentável e proporcionando um mundo melhor para as próximas gerações.

Mas a ILPF tem suas limitações, muitas vezes o tradicionalismo e resistência à adoção de novas tecnologias por parte dos produtores é um grande obstáculo na sua adoção.

Há uma exigência de maior qualificação e dedicação por parte dos produtores, gestores, técnicos e colaboradores.

Seu retorno apenas em médio a longo prazo, especialmente, do componente florestal é um grande entrave na sua adoção.

Por fim, a produção depende da disponibilidade e manutenção de máquinas e equipamentos, e também de fatores externos à unidade produtiva, como energia, armazenamento e transporte.

 

Benefícios e limitações do Sistema ILPF

Foto: Fabiano Bastos/Embrapa

 

Do planejamento ao plantio

No planejamento da ILPF deve-se escolher árvores que possibilitem o bom desenvolvimento das pastagens, evitando o excesso de sombreamento.

Assim, é importante priorizar espécies leguminosas (fixam o nitrogênio do ar a partir de associações com micro-organismos do solo).

Espécies que facilitem a passagem parcial da radiação solar por dentro da copa até atingir o solo. Além de possuírem raízes profundas para promoverem a ciclagem de nutrientes com mais eficiência.

A ILPF caracterizam-se por diferentes consórcios, onde a combinação entre espécies varia para cada formação vegetal ou cada fase do sistema.

Esses sistemas inicialmente, podem ser compostos por plantas tipicamente pioneiras, secundárias e tardias.

 

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Os representantes de todas as fases crescem juntos, porém, em cada fase da sucessão haverá uma comunidade dominando, direcionando a sucessão.

Para cada consórcio, os indivíduos das espécies mais avançadas na sucessão não se desenvolvem satisfatoriamente enquanto as iniciais não dominam.

Assim, as plantas de crescimento mais rápido criam condições ambientais mais favoráveis àquelas que se desenvolvem mais lentamente.

As árvores podem ser plantadas em fileiras, para facilitar o manejo, ou dispostas ao acaso, mas é importante que estejam bem distribuídas nas áreas de pastagens.

A ILPF é uma boa opção para melhorar as condições dos pastos, além de proporcionar maior conforto aos animais.

 Uma vez que, aumenta a sua resistência às adversidades climáticas e eventuais enfermidades, possibilitando a obtenção de maiores produtividades de leite ou carne.

 

Produção consciente

 

Produção consciente - ilpf

Foto: Gabriel Faria/Embrapa

 

Com a introdução do sistema de ILPF, além da intensificação e maior eficiência do uso da terra, são gerados, também, outros benefícios ao ambiente.

 Onde podemos destacar o maior sequestro de carbono, aumento da matéria orgânica do solo, redução da erosão, melhoria das condições microclimáticas e do bem-estar animal.

Quanto aos benefícios econômicos gerados pela diversificação do sistema de produção. Pode ser notado a redução dos custos de produção, aumento de produtividade e diminuição do risco inerente à agropecuária, especialmente por variações climáticas.

Portanto, devemos promover a adoção do Sistema de Integração Lavoura Pecuária Floresta não apenas produtivos, mas que sejam sadios, possibilitando a transição para uma produção agroflorestal sustentável.

Para alcançar este objetivo, devemos promover uma passagem dos modelos agroquímicos de produção para alternativas agroecológicas ou orgânicas, limpas, ambiental e economicamente sustentáveis. Porém também socialmente justas.

Apesar de alguns entraves iniciais à sua adoção, os sistemas de ILPF, por sua maior complexidade de gestão, acabam por incorporar posturas mais corretas pelo produtor.

E para potencializar o sistema, busca-se a formação de redes sistêmicas e contínuas. Envolvendo de forma participativa a pesquisa, assistência técnica, produtores rurais e parceiros estratégicos com o objetivo de capacitar agentes multiplicadores.

 

Juliana Medina