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Agrícola

Tabela de adubação NPK: formulados, garantias e doses por cultura

Tabela de formulados NPK com uso de cada fórmula, garantias de ureia, MAP, KCl e superfosfatos (MAPA), doses por cultura da Embrapa e cálculo por planta.

AgroPósConteúdo próprio Atualizado em 12 de outubro de 2026 10 min de leitura
Tabela de adubação NPK: formulados, garantias e doses por cultura

Uma tabela de adubação NPK reúne os formulados mais usados (04-14-08, 08-28-16, 00-20-20, 20-00-20), o significado de cada número e a dose de N, P2O5 e K2O por cultura, conforme a análise de solo. Os números são porcentagens: o 04-14-08 tem 4% de N, 14% de P2O5 e 8% de K2O.

Abaixo estão a lista de formulados com o uso de cada grupo, as garantias dos fertilizantes simples pela legislação do MAPA, tabelas de dose por cultura publicadas pela Embrapa e o cálculo da quantidade de NPK por planta.

Como ler a fórmula NPK: o exemplo do 04-14-08

A fórmula do adubo traz sempre três números na mesma ordem: nitrogênio total (N), fósforo expresso como pentóxido de fósforo (P2O5) e potássio expresso como óxido de potássio (K2O). Cada número é a porcentagem em peso do produto.

Quilos de nutriente no saco = peso do saco (kg) × garantia (%) ÷ 100

Exemplo resolvido: um saco de 50 kg de 04-14-08 contém 50 × 4 ÷ 100 = 2 kg de N, 50 × 14 ÷ 100 = 7 kg de P2O5 e 50 × 8 ÷ 100 = 4 kg de K2O. Os três somam 26% do peso; o restante é o material que acompanha as matérias-primas (no caso do superfosfato simples, por exemplo, cálcio e enxofre).

Duas conversões aparecem o tempo todo, porque o laudo de solo traz P e K e o saco traz P2O5 e K2O: P × 2,29 = P2O5 e K × 1,21 = K2O (fatores usados pela Embrapa Soja). Mais detalhes sobre cada tipo de fórmula estão no texto sobre fertilizantes NPK.

Lista de formulados NPK mais usados e para que servem

Não existe fórmula “boa para tudo”. A escolha segue a relação entre N, P2O5 e K2O que a análise de solo e a cultura pedem. Os formulados do mercado se agrupam assim:

Grupo Exemplos de fórmula Para que servem
Sem nitrogênio (PK) 00-20-20, 00-20-25, 00-30-10, 00-25-25, 00-18-18, 00-20-30 Adubação de base da soja e de outras leguminosas, que recebem N da fixação biológica. A Embrapa Soja lista essas fórmulas entre as composições para a cultura.
Pouco N, P alto (plantio) 02-20-20, 02-28-20, 04-14-08, 04-30-10, 08-28-16, 05-25-15 Adubação no sulco de plantio de grãos, hortaliças e mudas, quando o fósforo é o nutriente que mais pesa e o N maior vai em cobertura.
N e K (cobertura) 20-00-20, 20-05-20, 30-00-20 Cobertura de milho, pastagens, cana e hortaliças, quando o fósforo já foi aplicado no plantio.
Equilibrados 10-10-10, 15-15-15, 15-15-20 Manutenção de jardins, hortas e vasos e situações em que a análise pede doses parecidas dos três. Em lavoura comercial, raramente coincidem com a relação recomendada.
Com S, Ca ou micronutrientes Fórmulas com “+ S”, “+ Zn”, “+ B” Quando a análise aponta falta de enxofre ou de micronutriente. A garantia do elemento extra aparece no rótulo.

A própria Embrapa Soja ressalta que outras formulações podem ser usadas, desde que forneçam as quantidades de nutrientes indicadas para a fertilidade do solo de cada área. O passo a passo para escolher a fórmula e calcular a dose está no guia de cálculo de adubo por hectare.

Tabela de garantias dos fertilizantes simples

Os fertilizantes simples entram para completar o que o formulado não fornece ou para montar a mistura. A Instrução Normativa nº 39/2018 do MAPA fixa a garantia mínima de cada um; o produto comercial pode ter teor maior, declarado no rótulo.

Fertilizante Garantia mínima (IN MAPA 39/2018) Uso principal
Ureia 45% de N Fonte de N mais concentrada; cobertura de milho, cana, pastagens. Perde N por volatilização se ficar na superfície sem chuva ou incorporação.
Sulfato de amônio 20% de N e 22% de S Fonte de N que também fornece enxofre.
Nitrato de amônio 32% de N Fonte de N com metade nítrica e metade amoniacal.
MAP (fosfato monoamônico) 9% de N e 48% de P2O5 Fósforo concentrado com um pouco de N; base de muitos formulados.
DAP (fosfato diamônico) 17% de N e 45% de P2O5 Fósforo com mais N que o MAP.
Superfosfato simples 18% de P2O5, 16% de Ca e 10% de S Fósforo com cálcio e enxofre.
Superfosfato triplo 41% de P2O5 e 10% de Ca Fósforo concentrado, sem enxofre.
Cloreto de potássio (KCl) 50% de K2O (o produto comercial mais comum traz 58% a 60%) Principal fonte de potássio; tem efeito salino, por isso a dose no sulco é limitada.

Use sempre a garantia do rótulo do lote comprado na conta. Para conhecer melhor o fósforo com enxofre, veja o texto sobre superfosfato simples.

Tabela de adubação por cultura a partir da análise de solo

A dose por cultura sai dos boletins oficiais de recomendação, que cruzam a classe do nutriente no solo com a produtividade esperada. Antes de usar qualquer tabela, a acidez deve estar corrigida com calcário conforme a saturação por bases recomendada para a cultura.

Soja: fósforo e potássio (Embrapa Soja, Mato Grosso)

Argila (%) P muito baixo P baixo P médio P adequado
61 a 80 120 110 90 60
41 a 60 120 100 80 60
21 a 40 120 100 80 60
até 20 120 90 80 60

Dose de P2O5 (kg/ha) de manutenção no sulco, para 60 sc/ha em áreas com vários anos de cultivo. Fonte: Embrapa Soja, Tecnologias de produção de soja (2020), a partir de resultados da Fundação MT.

Nível de K no solo K (mg/dm³) K (cmolc/dm³) Dose de K2O (kg/ha)
Bom acima de 60 acima de 0,15 72 a 80
Médio 40 a 60 0,10 a 0,15 80 a 100
Baixo 20 a 40 0,05 a 0,10 100 a 120
Muito baixo abaixo de 20 abaixo de 0,05 120 a 140

Para produtividade de 60 sc/ha (3.600 kg/ha). Na soja, o nitrogênio vem da fixação biológica com inoculação, sem N mineral. Fonte: Embrapa Soja (2020).

Milho para grãos (Embrapa Milho e Sorgo)

Produtividade (t/ha) N no plantio P2O5: baixa / média / adequada K2O: baixa / média / adequada N em cobertura
4 a 6 10 a 20 80 / 60 / 30 50 / 40 / 20 60
6 a 8 10 a 20 100 / 80 / 50 70 / 60 / 40 100
acima de 8 10 a 20 120 / 100 / 70 90 / 80 / 60 140

Doses em kg/ha. Fonte: Embrapa Milho e Sorgo, Cultivo do milho: nutrição e adubação.

Fruteiras e outras perenes no plantio (cova)

Para culturas perenes e semiperenes no Cerrado, a Embrapa Cerrados sugere a correção e adubação da cova calculadas para 1 m³ de solo (cerca de 1.000 kg). Em covas menores, a quantidade cai na proporção do volume:

Insumo Por 1 m³ de solo Cova 50 × 50 × 50 cm (1/8) Cobertura por cova
Esterco de curral curtido (ou de aves) 100 L (ou 25 L) 12,5 L (ou 3 L) –
Calcário dolomítico (PRNT 100%) 1.000 g 125 g –
Fósforo (P2O5) 700 g 87,5 g –
Nitrogênio (N) Vem do adubo orgânico – 20 g
Potássio (K2O) – – 20 g

Fonte: Embrapa Cerrados, “Cerrado: correção do solo e adubação”, capítulo de culturas perenes e semiperenes. A publicação traz também micronutrientes para a cova (B, Cu, Mn, Mo e Zn).

Quantidade de NPK por planta: como calcular

A dose por planta é a mesma conta da dose por hectare, só que em gramas. Primeiro defina quantos gramas de cada nutriente a planta precisa (pela tabela da cultura); depois converta para o produto:

Gramas de adubo por planta = gramas do nutriente por planta × 100 ÷ garantia do adubo (%)

Exemplo resolvido 1 (cova de fruteira): a cova de 50 × 50 × 50 cm pede 87,5 g de P2O5. Com 04-14-08: 87,5 × 100 ÷ 14 = 625 g por cova, que trazem também 25 g de N e 50 g de K2O. Com superfosfato simples (18%): 87,5 × 100 ÷ 18 = 486 g por cova, sem N e K, o que respeita a tabela (N vem do esterco).

Exemplo resolvido 2 (cobertura): 20 g de N e 20 g de K2O por planta. Com 20-00-20: 20 × 100 ÷ 20 = 100 g por planta, que entregam os dois nutrientes de uma vez.

Exemplo resolvido 3 (lavoura para planta): se a recomendação é por hectare, divida pelo número de plantas. Em 3 m × 3 m há 1.111 plantas/ha; 200 kg/ha de adubo equivalem a 200 × 1.000 ÷ 1.111 = 180 g por planta.

Plantas em vaso, horta e jardim

Para vasos e jardins não há tabela oficial por planta como nas lavouras. Siga a dose do rótulo do fabricante, que é calculada para aquele produto, e prefira doses menores e mais frequentes. Excesso de adubo químico concentra sais perto da raiz e pode queimar folhas e raízes. Em horta, o boletim de recomendação do seu estado traz doses por área (g/m²), que se convertem com a mesma conta: kg/ha ÷ 10 = g/m².

Exemplo: lendo uma tabela de recomendação com o laudo

O laudo abaixo é de um solo muito argiloso e ácido, com potássio baixo. Para o exemplo, considere fósforo (Mehlich-1) de 3,2 mg/dm³.

Laudo de análise de solo para tabela de adubação: argila 650 g/kg, pH em água 4,6, K 24 mg/dm³, Ca 0,3, Mg 0,1, Al 1,3 e H+Al 5,0 cmolc/dm³

Na tabela de indicação de adubação para soja no Paraná (edição de 1999, usada aqui só como exercício de leitura), procura-se a linha de P entre 3,1 e 6,0 mg/dm³ e a coluna de K abaixo de 0,10 cmolc/dm³ (24 mg/dm³ ÷ 391 = 0,06 cmolc/dm³).

Tabela de indicação de adubação para soja no Paraná com análise de P e K e doses de N, P2O5 e K2O em kg/ha, com a faixa de P de 3,1 a 6,0 e K abaixo de 0,10 destacada

  1. Leitura: N = 0, P2O5 = 70 a 80 kg/ha (usa-se 75) e K2O = 90 kg/ha. Relação: 0-75-90.
  2. Formulado: a relação 75:90 é próxima de 20:25. Com 00-20-25: 75 × 100 ÷ 20 = 375 kg/ha, que entregam 75 kg/ha de P2O5 e 94 kg/ha de K2O.
  3. Atenção ao rodapé: a nota 3 da tabela indica que, com K abaixo de 0,08 cmolc/dm³, faz-se também adubação corretiva de 140 kg/ha de K2O a lanço, incorporada. Como 94 kg/ha de K2O na linha passam do limite de 40 a 50 kg/ha que a Embrapa Soja recomenda para o sulco, parte do potássio deve ir a lanço.
  4. Antes de tudo: com pH 4,6 e alumínio de 1,3 cmolc/dm³, o solo precisa de calagem.

A versão atual da tabela do Paraná, publicada pela Embrapa Soja em 2020, separa os solos pela CTC e usa classes de interpretação diferentes. Confira sempre a edição em vigor.

Quando aplicar o NPK: plantio e cobertura

  • Plantio (base): fósforo vai todo no plantio ou a lanço antes, porque se move pouco no solo. Os formulados com P alto entram aqui.
  • Cobertura: nitrogênio de milho, cana e pastagens é parcelado em cobertura, quando a planta acelera a absorção.
  • Potássio em solo arenoso: com menos de 40% de argila, a Embrapa Soja indica um terço da dose de K no sulco e dois terços em cobertura, 30 a 40 dias após a emergência.
  • Frequência: em culturas anuais, a adubação é feita a cada safra, com nova análise de solo a cada um ou dois anos. Em perenes, segue o calendário do boletim da cultura.

O tipo de solo também muda a estratégia: em solos arenosos as perdas por lixiviação são maiores, e o parcelamento ganha peso. Veja as características de cada classe em tipos de solo.

Perguntas frequentes

Qual a quantidade de NPK 04-14-08 por planta?

Depende da necessidade de nutriente da planta, não do formulado. Calcule os gramas de P2O5 indicados pela tabela da cultura e divida pela garantia: no exemplo da Embrapa Cerrados para cova de fruteira de 50 × 50 × 50 cm (87,5 g de P2O5), seriam cerca de 625 g de 04-14-08 por cova. Em vasos, siga o rótulo.

Qual a quantidade de adubo NPK 10-10-10 para planta?

Para lavoura e pomar, use a mesma conta: gramas do nutriente recomendado × 100 ÷ 10. Por exemplo, 20 g de N em cobertura pedem 200 g de 10-10-10, que trazem também 20 g de P2O5 e 20 g de K2O. Para vasos e jardins, a dose correta é a do rótulo do fabricante, em aplicações menores e mais frequentes.

O que significam os números da fórmula NPK?

São porcentagens em peso, sempre na ordem nitrogênio (N), fósforo em P2O5 e potássio em K2O. Um saco de 50 kg de 08-28-16 tem 4 kg de N, 14 kg de P2O5 e 8 kg de K2O. Para converter para os elementos: P2O5 ÷ 2,29 = P e K2O ÷ 1,21 = K.

Qual o melhor adubo NPK para plantas frutíferas?

No plantio, a necessidade principal é fósforo, por isso fórmulas com P alto ou superfosfato na cova; a Embrapa Cerrados sugere 700 g de P2O5 por metro cúbico de cova. Na formação, a cobertura usa N e K (como 20-00-20). A escolha final depende da análise de solo e da espécie.

De quanto em quanto tempo adubar com NPK?

Em grãos, aplica-se o NPK no plantio de cada safra e o N em cobertura no período de maior absorção. Em perenes, o boletim da cultura define épocas e parcelamentos ao longo do ano chuvoso. Em vasos e jardins, siga o intervalo do rótulo e evite adubar plantas em repouso.

Adubação e especialização em nutrição de plantas

Montar a tabela certa para cada talhão exige interpretar o laudo, escolher fontes e ajustar doses à realidade da fazenda. É o que se estuda na pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas da AgroPós, voltada a quem recomenda adubação no campo, na revenda ou na consultoria.

Fontes consultadas

Conteúdo AgroPósEscrito pela equipe da AgroPós

Todos os artigos do blog são produzidos pela própria AgroPós, com base no material das nossas pós-graduações nas áreas agrícola, florestal e ambiental.

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