Cigarrinha das pastagens: conheça tudo sobre essa praga!

Cigarrinha das pastagens: conheça tudo sobre essa praga!

Quando um produtor identifica em seu pasto uma espuma de origem estranha, a certeza é uma só, a forrageira está sofrendo ataque de cigarrinha das pastagens. A praga que mais ataca os pastos, principalmente as braquiárias, é um inseto conhecido como sugador. Quer saber mais sobre esse assunto?

Acompanhe!

 

Cigarrinha das pastagens: conheça tudo sobre essa praga!

 

Cigarrinha das pastagens, é uma das principais pragas que ameaçam as pastagens, capazes de reduzir a produção de pasto em 10 dias.

Pode ser encontrada em fazendas, ao longo de estradas e em prados. Saiba como controlar a presença desses animais, que são considerados pragas.

Esses insetos preferem áreas úmidas e podem causar muitos danos econômicos às suas plantações, principalmente de alfafa, milho, trigo e aveia. No entanto, eles foram apontados como consumidores de mais de 400 espécies de plantas.

A Deois flavopicta ocorre em toda a América Tropical. No Brasil, é encontrada especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

 

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Afinal, o que é a cigarrinha das pastagens?

A cigarrinha das pastagens, Deois flavopicta, é um inseto sugador que causa grandes prejuízos às pastagens cultivadas no Brasil, reduzindo de forma acentuada sua capacidade produtiva, comprometendo a alimentação bovina e gerando queda no peso do animal, com prejuízos para os pecuaristas.

 

Característica da praga

O adulto da cigarrinha mede 8,7 a 11,1 mm de comprimento por 3,7 a 4,9 mm de largura. Apresenta coloração geral castanho-escuro a negra, com manchas creme. A cabeça, o pronoto e o escutelo são pretos.

As asas são pretas, com duas faixas transversais amarelas e uma faixa longitudinal também amarelada em cada asa anterior, havendo casos onde essas manchas são praticamente ausentes.

O abdome e as pernas são avermelhados. Ao longo da margem externa da tíbia da perna posterior apresenta dois espinhos proeminentes, e no seu ápice, uma ou duas coroas de espinhos menores.

O aparelho bucal inclui dois pares de estiletes: o par externo (mandíbulas modificadas), com pontas serrilhadas, que perfura o tecido vegetal, e o par interno (maxilas modificadas).

Os estiletes que compõem o par interno acoplam-se um ao outro de tal forma a originarem dois canais: um para a sucção da seiva e outro para a introdução de secreções salivares.

 

Ciclo reprodutivo

Durante seu desenvolvimento, ela passa por três fases: ovo; ninfa e adulta. Vamos explicar um pouco delas.

 

1ª fase: ovo

Inicialmente, as fêmeas realizam a postura ao nível do solo ou sobre restos vegetais, sempre bem próximas da base da planta hospedeira. De maneira geral, o ovo apresenta uma forma alongada, sendo que a quantidade de ovos por fêmea varia conforme a espécie.

Além disso, o período de incubação também sofre variações de acordo com a espécie. No entanto, em alguns casos, pode atingir até 200 dias. Isso ocorre, principalmente, quando os ovos entram em diapausa devido à baixa umidade, condição que impede o desenvolvimento das ninfas.

2ª fase: ninfa

Essa fase se destaca como uma das mais características do inseto. Isso porque, ao longo do seu desenvolvimento, a ninfa produz uma espuma ao se alimentar em raízes superficiais ou na base da planta. A partir desse momento, ela passa a viver dentro dessa estrutura.

De acordo com especialistas no assunto, essa espuma se torna uma fonte essencial de umidade e, ao mesmo tempo, oferece proteção contra alguns inimigos naturais.

A duração dessa fase varia conforme a espécie da cigarrinha e as condições climáticas do ambiente. Contudo, sabe-se que temperaturas elevadas e altos níveis de umidade aceleram significativamente esse desenvolvimento.

Durante esse período, o inseto passa por várias trocas de pele e permanece envolto pela espuma até atingir a fase adulta.

3ª fase: adulta

Após atingir a fase adulta, a cigarrinha passa a explorar a parte aérea da planta, ao contrário da ninfa, que permanece na base. Sua movimentação ocorre, principalmente, por meio de voos baixos e curtos, além de pequenos saltos. Entretanto, ao se alimentar, o inseto acaba introduzindo substâncias tóxicas na planta.

Como resultado, os prejuízos são consideráveis, uma vez que há uma grave redução no crescimento do pasto. Isso impacta diretamente sua produção e qualidade, pois ocorre um aumento nos teores de fibras e uma redução na digestibilidade. Além disso, as folhas atacadas apresentam queimaduras, caracterizadas pelo amarelamento, secamento e, posteriormente, morte.

Diante disso, esses danos afetam diretamente a capacidade produtiva da propriedade, prejudicando tanto a produção de carne quanto a de leite. Por isso, a adoção de medidas eficientes para o controle da cigarrinha se torna indispensável.

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Prejuízos da cigarrinha das pastagens

Considerada o maior pesadelo para as pastagens, a cigarrinha está presente em todo o território nacional. Devido aos seus hábitos alimentares, esse inseto se alimenta das plantas, sugando a seiva e, ao mesmo tempo, injetando toxinas.

Como consequência direta desse ataque, surgem grandes prejuízos para a planta. Inicialmente, os sintomas se manifestam na forma de estrias cloróticas. Com o avanço da infestação, essas estrias evoluem gradualmente para o total secamento das folhas. Esse efeito, por sua vez, é facilmente identificado e amplamente conhecido como “queima das pastagens”.

Além disso, com a progressiva morte das folhas, a disponibilidade e a qualidade da forragem diminuem significativamente. Dessa forma, como efeito cascata, as perdas na produtividade animal se tornam enormes. Em muitos casos, a severidade do ataque é tão grande que obriga o produtor a reduzir a taxa de lotação. Como resultado, há um impacto direto e expressivo no desempenho econômico da propriedade.

 

Identificação dos principais gêneros de cigarrinha das pastagens

Os gêneros Deois, Zulia e Mahanarva são as cigarrinhas que causam mais danos em pastagens. Veja as principais espécies que você pode encontrar no seu pasto:

  • Deois flavopicta: O inseto apresenta coloração preta com duas faixas transversais amarelas nas asas. O abdômen e as pernas são vermelhos.
  • Deois schach: O inseto apresenta coloração preto-esverdeado com uma faixa transversal de cor alaranjada no terço da asa. O abdômen e pernas são vermelhos.
  • Zulia entreriana: O inseto apresenta coloração preta brilhante com uma faixa transversal no terço apical da asa e coloração branco-amarelada.
  • Mahanarva fimbriolata: O inseto apresenta coloração avermelhada nos machos e marrom avermelhado nas fêmeas. Esta espécie se tornou uma importante praga em canaviais e atualmente é uma ameaça às pastagens.

 

Monitoramento da área

O primeiro passo para implementar o manejo integrado de pragas (MIP) é, sem dúvida, realizar um monitoramento eficiente. Para isso, é essencial aplicar diferentes métodos de amostragem, como o pano-de-batida, o exame de plantas para identificação de danos e a análise de amostras de solo.

Em relação às pastagens, a amostragem deve ser conduzida regularmente, podendo ocorrer de forma semanal ou quinzenal. Além disso, para avaliar com precisão a presença de adultos, recomenda-se o uso da rede-entomológica, com a realização de dez redadas em zigue-zague. Esse procedimento permite uma identificação mais eficiente da população da praga.

Por outro lado, o monitoramento de ninfas exige uma abordagem distinta. Para isso, o ideal é demarcar cinco pontos de 1m² no pasto e, em seguida, contabilizar o número de espumas encontradas. Além disso, é fundamental garantir que ambas as coletas sejam realizadas a cada 1 hectare, assegurando um acompanhamento detalhado da infestação.

Com um monitoramento contínuo e bem planejado, torna-se possível criar um histórico preciso da área ao longo dos anos. Dessa maneira, o produtor consegue identificar padrões de infestação e, consequentemente, prever com maior precisão quais meses serão mais críticos. Assim, ao considerar o ciclo de vida da cigarrinha, ele pode adotar estratégias preventivas mais eficazes, minimizando os impactos da praga na produtividade da propriedade.

Medidas de Controle da Cigarrinha das Pastagens

As medidas de controle da cigarrinha devem ser adotadas de maneira integrada e ecológica. O objetivo principal é reduzir a população da praga, preservar seus inimigos naturais e proteger as gramíneas forrageiras, especialmente durante sua fase mais suscetível ao ataque.

Para isso, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é fundamental. Nesse contexto, três tipos de controle são utilizados: cultural, biológico e químico.

Controle Cultural

  • Diversificar as pastagens com gramíneas resistentes às cigarrinhas-das-pastagens.
  • Manter o pasto bem nutrido e manejado, garantindo um solo fértil e descompactado.
  • Ajustar a carga animal para evitar sobras de forragem e o acúmulo de palha, reduzindo a sobrevivência das cigarrinhas.

Controle Biológico

  • Utilizar o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae, que parasita as ninfas da cigarrinha.
  • Aplicar o fungo no momento ideal e em condições ambientais adequadas, garantindo até 95% de eficiência.
  • Pulverizar o produto ao final do dia ou em dias nublados, quando a umidade relativa do ar estiver acima de 65%.
  • O controle deve ser feito quando a infestação atingir um nível mediano, geralmente cerca de 15 ninfas por m², dependendo da espécie de capim cultivada.

 

 

Controle químico

Esse controle é voltado ao combate das cigarrinhas adultas, por estarem mais expostas nas folhas. A aplicação do inseticida deve ser feita no momento adequado, ou seja, por ocasião da emergência da cigarrinha adulta, para não desperdiçar o insumo.

Utilizar somente produtos inseticidas registrados para uso em pastagens. Ressalta-se que os animais deverão ser retirados das áreas a serem tratadas pelo período recomendado pelos respectivos fabricantes.

 

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Conclusão

O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor mundial de leite e segundo maior produtor mundial de carne bovina.

A ocorrência, cada vez mais generalizada e intensa, do ataque das cigarrinhas nas pastagens brasileiras, sejam elas nativas ou cultivadas, impacta significativamente a produtividade do rebanho bovino.

Além disso, a cigarrinha-da-pastagem é um dos fatores mais limitantes na produção de carne e leite no Brasil. Isso ocorre porque seus danos causam prejuízos que variam de dezenas a centenas de milhões de dólares anualmente.

Diante desse cenário, neste artigo, abordamos tudo sobre essa praga. Além disso, destacamos a importância do monitoramento adequado e das diferentes formas de controle disponíveis.

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