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Técnicas Nucleadoras: gatilhos ecológicos para recuperação de ecossistemas degradados

Técnicas Nucleadoras: gatilhos ecológicos para recuperação de ecossistemas degradados

A recuperação de ecossistemas degradados é fundamental para combate às mudanças climáticas e para o cumprimento à Lei Florestal Brasileira (Lei 12651/2012). Mas precisamos reconhecer que recuperar ecossistemas, com diferentes níveis de degradação, não é um trabalho simples. Ao mesmo tempo em que envolve diferentes procedimentos e metodologias, os projetos de recuperação devem contemplar os aspectos ecológico, social, econômico e legal.

Avaliar o estado inicial de degradação, traçar os resultados desejados, inferir o tempo necessário para que a recuperação ocorra, e analisar as restrições financeiras, são etapas fundamentais. Cada local requer diferentes estratégias e diagnósticos, pertencendo aos profissionais envolvidos, a responsabilidade por escolher a técnica mais adequada para cada situação.

 

As principais metodologias

Segundo Bechara et al. (2016), o plantio de espécies arbóreas é a metodologia mais empregada do Brasil e, apresenta como objetivo a formação de dossel na área em recuperação, buscando promover, consequentemente, a sucessão florestal nativa.

Por outro lado, os autores afirmam que, quando não executado corretamente, o plantio em área total pode prejudicar o processo de recuperação ou direcioná-lo para um estado não desejado.

Muitos dos plantios em área total podem resultar em ecossistemas homogêneos, com diâmetro e altura satisfatórios, porém com baixa diversidade de espécies e com um sub-bosque dominado por gramíneas invasoras, elevando os custos inerentes às etapas de implantação e manutenção das áreas em recuperação.

Sendo assim, direcionar os esforços para os processos ecológicos, como a sucessão ecológica e regeneração natural, ajudam na escolha de estratégias e métodos a serem utilizados de acordo com as características locais da área degradada, buscando sempre a formação de comunidades e ecossistemas com elevada biodiversidade e que se autoperpetuem.

Por combinar diferentes métodos, formando pequenos núcleos conjugados na área degradada, a nucleação pode agir em todos os níveis de diversidade nos processos sucessionais, envolvendo solo, produtores, consumidores e decompositores. A formação dos núcleos, ocupando de 10 a 30% da área, fomenta a redução dos custos, associados às etapas de implantação e manutenção das técnicas nucleadoras (Reis et al., 2014).

O que são as Técnicas Nucleadoras?

Proposta por Yarranton e Morrison (1974), a nucleação é uma técnica fundamentada na teoria sucessional e, visa formar microhabitats representados por núcleos, propícios à abertura de uma série de processos necessário para a regeneração natural, como a chegada de espécies vegetais, de todas as formas de vida e formação de uma rede de interações entre os organismos (Bechara, 2006).

Os autores também afirmam que a técnica cria pequenas manchas florestais com alta diversidade, fazendo com que, no decorrer do tempo, esses núcleos irradiem para toda a extensão da área.

A partir dos microhabitats são formadas condições mínimas de atratividade, como abrigo, alimentação e local de reprodução dos dispersores de propágulos, favorecendo o estabelecimento e desenvolvimento da vegetação pioneira envolvida no processo inicial de regeneração natural.

Exemplos de Técnicas Nucleadoras

São consideradas técnicas nucleadoras os seguintes métodos: Transposição do banco de sementes do solo; núcleos de chuvas de sementes; Poleiros artificiais; Núcleos de cobertura viva; Núcleos de bromélias; Abrigos artificias; Núcleos de árvores.

Transposição do banco de sementes do solo

A transposição do banco de sementes do solo consiste na retirada da superfície do solo juntamente com a serapilheira (0 a 10-20 cm), de áreas naturais conservadas e próximas à área que se deseja recuperar.

Por fim, este solo, somado à serapilheira, é disposto na área degradada. Essa transposição possibilita a reestruturação e fertilização do solo, pela presença de microrganismos responsáveis pela ciclagem de nutrientes e permite a revegetação da área degradada, apoiada pela germinação das sementes que compõe o banco de sementes presente no solo.

Núcleos de chuvas de sementes

A chuva de sementes consiste no conjunto de sementes dispersadas em um determinado local, por diferentes formas de dispersão, como por exemplo, a dispersão pelo vento e por animais. A coleta da chuva de sementes de fragmentos próximos ao ecossistema degradado é uma forma de buscar a diversidade de espécies da região e com isso favorecer a conectividade entre a área conservada e área degradada.

Poleiros Artificiais

O uso dos Poleiros Artificiais, como técnica nucleadora, possui como principal objetivo a atração de aves e morcegos, que pousam nesses colocais e depositam sementes dos fragmentos das florestas próximos às áreas em recuperação.

Diferentes trabalhos recomendam o uso de estruturas altas, tipo torre de cipó, com 10 m de altura, formado por varas de eucalipto, nos quais é importante conduzir trepadeiras como maracujás nativos ou cipó-de-são-joão, promovendo desta maneira maior atração de animais.

Abrigos artificias

Os abrigos artificias, também conhecidos como transposição de galharia, são compostos por pilhas de lenha ou resíduo florestal, proveniente de árvores exóticas eliminadas, podas de árvores urbanas, desmatamentos para mineração e antes da inundação de florestas para hidrelétricas, bem como na limpeza de seus reservatórios artificiais após o alagamento.

Todo esse material pode ser enleirado na área a ser recuperada, formando assim uma técnica nucleadora inicial. Esta ação atende, principalmente, à formação de abrigos artificiais para a fauna, mas também promove a atuação de decompositores e possui grande potencial de recuperação de solos após a formação de húmus.

Núcleos de cobertura viva

Para formação dos núcleos de cobertura viva é recomendado o plantio de espécies rústicas herbáceas arbustivas, dentre as quais podem ser utilizadas, girassol, milheto e alguma leguminosa semi-perene para cobertura. Essas espécies devem apresentar, dentre outras características, ciclo de vida anual, florescimento precoce, o que vai atrair animais polinizadores, dispersores de sementes e consumidores.

Por apresentar ciclo curto, as plantas utilizadas vão servir de alimento aos decompositores, reciclando a matéria orgânica no solo. Ainda que o uso de espécies nativas seja o ideal, em algumas situações de falta de sementes nativas de ervas e arbustos no mercado, opta-se por determinadas plantas usadas tradicionalmente na adubação verde, que sejam exóticas, porém, não invasoras e não perenes, saindo naturalmente do ecossistema em pouco tempo.

Núcleos de árvores

O plantio de árvores nativas em núcleos, também conhecido por grupos de Anderson, é caracterizado pelo plantio em grupo de cinco a nove mudas, espaçadas a 0,5 m ou 1 m de distância entre elas, ou seja, altamente adensadas dentro do grupo, porém com espaçamento amplo entre os grupos da área a ser recuperada.

Trata- se de uma forma para ampliar o processo de nucleação, sendo que sua importância está na escolha das espécies que formarão a nova comunidade e que possibilitarão resgatar a biodiversidade local.

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Núcleos de bromélias

Buscando complementar as técnicas nucleadoras, o plantio em núcleos de bromélias terrestres também pode ser utilizado. Essa espécie apresenta como característica importante, a presença de tanque para armazenamento de água, responsável por atrair diversos animais para a área degradada.

Sendo assim, as ações nucleadoras representam um avanço em modelos de restauração. Os núcleos formados mostram que pequenas interferências a nível local, representam gatilhos ecológicos promotores de conectividade e de integração das áreas naturais e produtivas, ou seja, são uma força motriz do potencial de regeneração natural de áreas degradadas.

Os gatilhos ecológicos são mecanismos que disparam e aceleram a sucessão natural através de pequenas interferências a nível local, cabendo aos profissionais envolvidos promovê-los.

 

Fonte: Mata Nativa

ONU institui “Década da Restauração de Ecossistemas”

ONU institui “Década da Restauração de Ecossistemas”

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período 2021-2030 como a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas. A nova data é uma oportunidade única para a criação de empregos, segurança alimentar, enfrentamento da mudança do clima, conservação da biodiversidade e fornecimento de água. Duas agências da ONU – ONU Meio Ambiente e FAO – lideram a implementação da Década.

O anúncio antecede a realização da Quarta Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, que é o principal fórum global para tomadas de decisão em questões ambientais. Entre os dias 11 a 15 de março, ministros de meio ambiente e representantes do setor privado, governos, sociedade civil e academia se reunirão em Nairóbi, no Quênia, para discutir os problemas mais urgentes do nosso tempo – e os ecossistemas estarão no topo da agenda.

“Estamos satisfeitos que a nossa visão para uma Década dedicada ao tema se tornou realidade. Precisamos promover um programa de restauração agressivo que construa resiliência, reduza a vulnerabilidade e aumente a capacidade dos sistemas de se adaptar às ameaças diárias e eventos extremos”, afirmou Lina Pohl, ministra do Meio Ambiente e Recursos Naturais de El Salvador.

Apesar de fornecerem inúmeros serviços essenciais, como a provisão de água doce e alimentos, os ecossistemas-chave estão diminuindo rapidamente. A degradação dos ambientes terrestres e marinhos já compromete o bem-estar de 3,2 bilhões de pessoas e custa cerca de 10% da renda global anual em perda de espécies e serviços ecossistêmicos.

Em contrapartida, a restauração de 350 milhões de hectares de terras degradadas até 2030 pode gerar até nove trilhões de dólares em serviços ecossistêmicos e remover de 13 a 26 gigatons adicionais de gases do efeito estufa da atmosfera.

“A Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas ajudará os países a enfrentar os impactos da mudança do clima e da perda da biodiversidade”, disse José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“Os ecossistemas estão sendo degradados a uma taxa sem precedentes. Nossos sistemas alimentares globais e a subsistência de milhões de pessoas dependem de todos nós trabalhando juntos para restaurar ecossistemas saudáveis e sustentáveis para o presente e o futuro”, acrescentou Graziano.

“A ONU Meio Ambiente e a FAO estão honradas em liderar a implementação da Década com nossos parceiros. A degradação dos nossos ecossistemas tem causado um impacto devastador nas pessoas e no meio ambiente. Estamos animados com o fato de que o impulso para restaurar nosso ambiente natural vem ganhando ritmo, porque a natureza é nossa melhor aposta para enfrentar as mudanças do clima e garantir o futuro”, afirmou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente.

Apelo à ação global

Atualmente, cerca de 20% da superfície do planeta apresenta declínio na produtividade ligada à erosão, ao esgotamento e à poluição em todas as partes do mundo. Até 2050, a degradação e as mudanças climáticas poderão reduzir o rendimento das colheitas em 10% a nível mundial e até 50% em certas regiões.

A Década, um apelo à ação global, reunirá apoio político, pesquisa científica e fortalecimento financeiro para alavancar iniciativas-piloto bem-sucedidas para restaurar milhões de hectares. Pesquisas mostram que mais de 2 bilhões de hectares de paisagens desmatadas e degradadas em todo o mundo oferecem potencial para restauração.

A Década acelerará as metas existentes de restauração global – como o Desafio de Bonn, que visa restaurar 350 milhões de hectares de ecossistemas degradados até 2030, uma área quase do tamanho da Índia.

Atualmente, 57 países, governos subnacionais e organizações privadas se comprometeram a contribuir com mais de 170 milhões de hectares restaurados. Esse esforço se baseia em esforços regionais, como a Iniciativa 20×20 na América Latina, que visa restaurar 20 milhões de hectares de terras degradadas até 2020, e a Iniciativa AFR100 de Restauração da Paisagem Africana de Floresta, cujo objetivo é restaurar 100 milhões de hectares de terras degradadas até 2030.

A restauração dos ecossistemas é um processo que visa reverter a degradação de ambientes como paisagens, lagos e oceanos, recuperando suas funcionalidades ecológicas, ou seja, melhorando a produtividade e capacidade dos ecossistemas para atender às necessidades da sociedade. Isso pode ser feito, por exemplo, ao permitir a regeneração natural de ecossistemas superexplorados ou pelo plantio de árvores.

A restauração dos ecossistemas é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, os ODS, principalmente aqueles sobre mudança do clima, erradicação da pobreza, segurança alimentar e conservação da água e da biodiversidade. É também um pilar das convenções ambientais internacionais, como a Convenção de Ramsar sobre as zonas úmidas e as Convenções do Rio sobre biodiversidade, desertificação e mudança climática.

Por: ClicoVivo

Bioindicadores: Conceito e Aplicação

Bioindicadores: Conceito e Aplicação

O termo bioindicador representa qualquer forma de vida capaz de quantificar e monitorar propriedades dos ecossistemas, visto que a poluição ambiental vem sendo um problema nos últimos séculos se faz necessário cada vez mais implementar medidas de controle, principalmente nos grandes centros urbano-industriais. Nesse sentido são necessários mecanismos para monitorar essa poluição, porém, muitos instrumentos são caros e fica inviável a sua utilização.

Nesse âmbito, diversos grupos taxonômicos podem servir como bioindicadores, mas, nem todos os processos biológicos, espécies ou comunidades são bons parâmetros da qualidade do ambiente. Ou seja, os bons bioindicadores são espécies que, precocemente, indicam alterações ambientais; possibilitando a intervenção antes que essas se agravem.

De acordo com o exposto, um bioindicador ideal deve apresentar as seguintes características:

  • Ter reconhecimento fácil por não especialistas;
  • Distribuição na maior parte do globo, para ser facilmente comparado regional e internacionalmente;
  • Possuir indivíduos de diversos grupos taxônomicos, com diferentes reações de sensibilidade a mudanças ambientais;
  • Possuir grande quantidade de organismos e ter grandes dimensões;
  • Ser facilmente amostrável com técnicas diversas;
  • Baixo custo de amostragem;
  • Pequena mobilidade para representar condições locais;
  • Ciclo de vida longo constituindo-se um testemunho da qualidade ambiental no passado e no presente;
  • Ser conhecido ecologicamente e utilizável em experimentos laboratoriais;
  • Não ser muito sensível ou resistente a mudanças ambientais;
  • Ser de fácil manipulação e tratamento;
  • Ter condições de padronização de metodologias, para que haja conhecimento das condições que provocam respostas, sendo possível identificar e quantificar os efeitos da alteração e avaliação das respostas;
  • Ter possibilidade de uniformidade genética e possibilidade de
    avaliar as respostas.

Eles também se dividem de acordo com os objetivos de cada projeto, podendo ser:

  1. Indicadores ou bioindicadores ambientais: Estes são espécies ou conjunto delas com capacidade de reagirem aos distúrbios ambientais, incluindo as alterações no ambiente. Esse tipo de bioindicador é utilizado na mensuração de fatores abióticos, como por exemplo, a mensuração da poluição nos diversos compartimentos ambientais.
  2. Indicadores ou bioindicadores ecológicos: Um indicador ou bioindicador ecológico pode ser representado por uma espécie, um conjunto de espécies ou determinado táxon que se mostra sensível aos processos ocorridos no ambiente. Servem de sinal de alerta precoce de mudanças ambientais, além de poderem ser usados no diagnóstico de problemas no ambiente.
  3. Indicadores ou bioindicadores de biodiversidade: São considerados indicadores ou bioindicadores de biodiversidade um grupo de taxa, representado por gênero, tribo, família ou ordem; ou mesmo um grupo de espécies considerado medida da diversidade de um grupo mais amplo no ambiente. Assim, os dados obtidos por esse grupo são extrapolados a toda diversidade da espécie avaliada.

Existem bioindicadores de acumulação e de reação. De acordo com a literatura, um bioindicador de acumulação, também chamado de organismo resistente, é aquele que reage ao estresse pela acumulação de substâncias tóxicas nos tecidos; já um bioindicador de reação é considerado um organismo sensível, pois reage ao estresse por alterações morfológicas, fisiológicas, genéticas e etológicas.

Como podemos ver, existe uma infinita lista de bioindicadores de diferentes táxons que atestam a qualidade do ambiente (ar, água, solo) de diferentes formas.

Nas plantas os contaminantes químicos são assimilados por meio de três vias: por translocação, a partir do solo, pela ação das raízes; por assimilação de substâncias presentes na fase gasosa e; por assimilação de deposições atmosféricas.

A resposta das plantas à exposição de poluentes tóxicos pode ser usada como método de verificação da toxicidade ambiental. As plantas podem apresentar sinais em curto prazo como: injúrias nas folhas, perda de folhas, redução do crescimento e/ou alterações nos padrões de floração; bem como alterações a médio e longo prazo, como: composição química, modificações nos processos fisiológicos e alterações genéticas. Portanto, as alterações podem ser visíveis ou necessitarem de análises laboratoriais que comprovem a presença desses poluentes em seus tecidos.

Os Macroinvertebrados bentônicos têm sido amplamente utilizados como bioindicadores de qualidade de água e saúde de ecossistemas, pois refletem as mudanças físicas, químicas e biológicas, e apresentam ciclos de vida longo comparando-se com os organismos do plâncton que em geral tem ciclos de vida em torno de horas, dias, 1 ou 2 semanas; os macroinvertebrados bentônicos podem viver entre semanas, meses e mesmo mais de 1 ano, caracterizando-se como “organismos sentinelas”.

A elevada concentração de nutrientes na água pode afetar a estrutura e a dinâmica das comunidades macrobentônicas, manifestada por uma diminuição na biodiversidade aquática e/ou por uma dominância de espécies tolerantes à poluição. Esses organismos também desempenham um papel importante no processamento da matéria orgânica dos corpos hídricos, acelerando sua decomposição e assim promovendo a ciclagem de nutrientes e a transferência de energia para níveis tróficos mais elevados. Assim, os macroinvertebrados bentônicos podem ser considerados espécies-chave na decomposição de detritos da cadeia alimentar.

Em geral, são organismos grandes (maiores que 125 ou 250 µm), sésseis ou de pouca mobilidade, ou seja, são relativamente sedentários e mais fáceis de serem amostrados, além de serem sensíveis a diferentes concentrações de poluentes no meio, fornecendo ampla faixa de respostas frente a diferentes níveis de contaminação ambiental.

Quanto a avaliação da qualidade do ar, os liquens mostram alta sensibilidade a poluentes, não somente pela diminuição da sua vitalidade, como por sintomas externos característicos. A grande sensibilidade está estreitamente relacionada com sua biologia. A alteração do balanço simbiótico entre o fotobionte e o micobionte pode ser evidenciada com rapidez através da ruptura desta associação. Anatomicamente, os liquens não possuem estomas nem cutícula, o que significa que os gases e aerossóis podem ser absorvidos pelo talo e difundir-se rapidamente pelo tecido onde está o fotobionte.

Dentre os efeitos que os poluentes podem ocasionar na comunidade liquênica estão à inibição do crescimento e desenvolvimento do talo, alterações nos processos metabólicos e mudanças anatômicas e morfofisiológicas. Portanto, a presença de determinadas espécies de líquens no ambiente indica que existe zero ou quase nada de poluição.

Mas é bom ressaltar que mesmo que os líquens indiquem que exista poluição no ar, eles não podem ser única medida de monitoramento, devem ser complemento, já que eles são apenas qualitativos e não indicam a quantidade de poluição existente no ambiente.

 

Escrito por: Katucia Sandra Zatelli
Fonte: Mata Nativa

Estudo alerta para risco de extinção em massa de insetos

Estudo alerta para risco de extinção em massa de insetos

Quase metade de todas as espécies de insetos em todo o mundo está em rápido declínio e um terço pode desaparecer por completo, de acordo com um estudo sobre as terríveis consequências da polinização de cultivos e das cadeias alimentares naturais.

“A menos que mudemos nossa maneira de produzir alimentos, os insetos como um todo irão seguir o caminho da extinção em algumas décadas”, concluiu o estudo revisado por especialistas, que deve ser publicado em abril.

O recente declínio de insetos que voam, rastejam, escavam e escorregam em águas paradas faz parte de uma “extinção em massa”, apenas a sexta no último meio bilhão de anos. “Estamos testemunhando o maior evento de extinção na Terra desde o final do Permiano e Cretáceo”, observaram os autores.

O fim do Permiano, 252 milhões de anos atrás, extinguiu mais de 90% das formas de vida do planeta, enquanto o final abrupto do Cretáceo, 66 milhões de anos atrás, viu o fim dos dinossauros terrestres.

“Estimamos que a proporção atual de espécies de insetos em declínio – 41% – seja duas vezes maior que a de vertebrados”, ou animais com coluna vertebral, afirma Francisco Sanchez-Bayo, da Universidade de Sydney, e Kris Wyckhuys, da Universidade de Queensland, em Austrália.

1/3 de todas as espécies de insetos estão ameaçadas

Hoje, cerca de um terço de todas as espécies está ameaçada “e, a cada ano, cerca de 1% a mais é adicionada à lista”, alertam os autores. A biomassa de insetos – pura massa coletiva – está diminuindo anualmente em cerca de 2,5% em todo o mundo. Apenas ações decisivas podem evitar um colapso catastrófico dos ecossistemas da natureza. Neste sentido, restaurar áreas selvagens e uma drástica redução no uso de pesticidas e fertilizantes químicos são provavelmente a melhor maneira de retardar a perda de insetos.

O estudo, que será publicado na revista Biological Conservation, reuniu dados de mais de 70 conjuntos de dados de todo o mundo, alguns datando de mais de um século. Por uma larga margem, a mudança de habitat – desmatamento, urbanização, conversão para terras agrícolas – emergiu como a maior causa de declínio de insetos e ameaça de extinção.

A poluição e o uso disseminado de pesticidas na agricultura comercial são outras razões elencadas. O recente colapso, por exemplo, de muitas espécies de aves na França foi atribuído ao uso de inseticidas em culturas industriais, como trigo, cevada, milho e uvas para vinho.

“Quase não existem mais insetos – esse é o problema número um”, disse Vincent Bretagnolle, ecologista do Center for Biological Studies. Especialistas estimam que os insetos voadores em toda a Europa diminuíram em média 80%, fazendo com que as populações de aves caíssem em mais de 400 milhões em três décadas.

Expulsos de casa após milhões de anos

Os insetos compreendem cerca de dois terços de todas as espécies terrestres e têm sido a base dos principais ecossistemas desde que surgiram há quase 400 milhões de anos.

“O papel essencial que os insetos desempenham como alimento de muitos vertebrados é muitas vezes esquecido”, disseram os pesquisadores. Moles, ouriços, tamanduás, lagartos, anfíbios, a maioria dos morcegos, muitos pássaros e peixes se alimentam de insetos ou dependem deles para criar seus filhotes.

Outros insetos que preenchem o vazio deixado pelas espécies em declínio provavelmente não podem compensar a queda acentuada na biomassa. Não se pode esquecer também que eles são os principais polinizadores do mundo – 75% dos 115 principais cultivos globais dependem da polinização dos animais, incluindo cacau, café, amêndoas e cerejas.

O ritmo do declínio de insetos parece ser o mesmo em climas tropicais e temperados, embora haja muito mais dados da América do Norte e da Europa do que o resto do mundo.

Por CicloVivo.

Por que Pando, um dos maiores organismos vivos do mundo, está morrendo

Por que Pando, um dos maiores organismos vivos do mundo, está morrendo

Nem elefante, nem baleia – o maior organismo vivo do mundo, na visão de alguns cientistas, é o bosque Pando — Foto: Pixabay

Para o visitante desprevenido, Pando não passa de um bonito bosque composto por árvores de álamo. Ele é, porém, mais que isso: alguns cientistas consideram-no o maior e mais pesado organismo vivo do mundo.

Ele fica perto do lago Fish, em Utah, nos Estados Unidos. Estima-se que tenha 14 mil anos, e sua área chega a 43 hectares (algo como 43 campos de futebol).

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Mas o que explica esse rótulo de maior “organismo vivo”?

“Na realidade, todas as árvores são apenas uma”, explica Paulo Rogers, geólogo e professor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual de Utah.

Pando, que significa “eu me espalhei” em latim, também é conhecido como “o bosque de uma única árvore”.

Uma árvore clonada

Os álamos podem viver entre 100 e 130 anos — Foto: Lance Oditt/BBC

Os álamos podem viver entre 100 e 130 anos — Foto: Lance Oditt/BBC

Os bosques de álamo se reproduzem de duas maneiras. Uma delas ocorre quando uma árvores madura deixa cair suas sementes, que acabam por germinar.

A outra, mais comum, acontece quando elas liberam os brotos de suas raízes, dos quais nascem novas árvores – essas são chamadas de clones.

Pando não é o único bosque “clone”, mas é o mais extenso. Estima-se que o organismo pese cerca de 13 milhões de toneladas.

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Por que ele está morrendo?

O geólogo Paulo Rogers publicou um estudo que aponta que, nos últimos 40 anos, Pando parou de crescer e teve seu tamanho reduzido. Algumas imagens aéreas do local mostram zonas em que não há mais árvores.

Paul Rogers se dedica a monitorar a vida do Pando — Foto: Lance Oditt/BBC

Paul Rogers se dedica a monitorar a vida do Pando — Foto: Lance Oditt/BBC

Rogers não tem uma estimativa sobre a velocidade da redução de Pando, mas, segundo ele, nos próximos 10 anos o tamanho do bosque terá diminuído “significativamente”.

Normalmente, os álamos vivem entre 100 e 130 anos. O problema é que eles estão morrendo sem que uma nova geração de árvores surja.

“É como se fosse uma cidade de 47 mil habitantes e todos tivessem 85 anos”, diz Rogers.

Segundo sua pesquisa, a principal causa de Pando não conseguir se expandir é que a área concentrou um grande número de cervos e vacas que comem os brotos antes que eles consigam crescer.

“Devemos começar a reduzir o número de animais que comem as árvores”, diz o pesquisador. “Se o bosque morrer, todas as espécies que dependem dele vão desaparecer também.”

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Ele pode sobreviver?

A presença de veados, cervos e vacas tem ajudado a diminuir o bosque Pando — Foto: Lance Oditt/BBC

A presença de veados, cervos e vacas tem ajudado a diminuir o bosque Pando — Foto: Lance Oditt/BBC

Para Rogers, a solução para Pando seria aumentar as cercas que protegem algumas áreas do bosque, bem como trabalhar com os agricultores para ajudar a remover as vacas da área florestal e até mesmo sacrificar alguns dos cervos.

A ideia, segundo o geólogo, seria dar um “descanso” para Pando se recuperar.

“À primeira vista, é um simples bosque, mas, quando você descobre que é apenas um organismo, você se sente incrível por estar aqui”, diz. “Aprender sobre Pando nos ajuda a aprender a viver em nossa Terra.”

Por BBC News Brasil.