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O índice nada mais é que a representação com apenas um valor da relação existente entre dois ou mais valores. Assim, a análise levará em consideração números (adimensionais ou não) como valores comparativos. Para o caso de Viçosa, no conceito de arborização urbana, transformam-se os valores apresentados em índices que representam número de árvores por quilômetro de rua ou de calçada com a simples divisão de um valor pelo outro conforme o quadro 1.

Quadro 1 – Uso do número de árvores por quilômetro de calçada como índice comparativo, considerando-se duas calçadas regulares em cada rua.

O índice permite, assim, uma análise mais rápida, pois se vê que 3,25 representa uma distribuição de 13 árvores em 4 quilômetros de calçada, enquanto 0,30 representa uma distribuição de apenas 3 árvores em 10 quilômetros de calçada.

Para a análise no conceito de florestas urbanas substitui-se a medida linear por medida superficial e o número de árvores por cobertura vegetal medida em Km2 ou m2. Os índices encontrados deverão facilitar a comparação entre regiões, bairros ou entre cidades. Eventualmente os valores de área costumam ser substituídos por valores populacionais, partindo-se de uma premissa (contestável) de que 12 m2 de área verde por pessoa seja um parâmetro ideal para comparação. O quadro 2, adaptado de Machado et al (2010) mostra a análise comparativa entre regiões em termos percentuais e cobertura vegetal por habitante.

Quadro 2 – Cobertura vegetal por região administrativa em Teresina – PI.

Na análise do quadro 2 cabe um alerta para a inadequada interpretação quando se utiliza de diversos índices simultaneamente, pois, não necessariamente haverá lógica comparativa entre eles. Vê-se pelo quadro que a maior região em área (Sul) com 70,09 Km2 não é a que apresenta maior cobertura vegetal e nem a que apresenta maior índice de vegetação por habitante. Há que se considerar que o percentual de vegetação em área estará relacionado com ocupação do solo por construção ou, em última análise, com áreas livres de construção, ao passo que o índice de cobertura vegetal por habitante estará relacionado não só com áreas livres de construção como, também, com adensamento verticalizado. Assim, a análise de distribuição da vegetação no ambiente urbano deverá levar em consideração diversos aspectos e a escolha do índice adequado será em função do que se quer provar ou não e do que se quer realizar com o diagnóstico da arborização/florestas.

A figura 1 mostra uma alta densidade construída e populacional. Se uma favela não possui ruas convencionais, que se dirá de calçadas? Não há espaços entre casas e o adensamento populacional por casa é elevadíssimo (famílias com 7, 10 pessoas). Que índice seria mais indicado para ela se não há espaço para árvores?

Figura 1 – A favela como exemplo de alta densidade construtiva horizontale alta densidade populacional.

Já para um condomínio residencial horizontalizado com residências unifamiliares (figura 2) pressupõe-se a existência de ruas amplas com calçadas convencionais e confortáveis, onde é prevista, inclusive, uma arborização. As casas possuem jardins e quintais e o adensamento populacional é facilmente conhecido e controlável (famílias de quatro pessoas em média: casal com dois filhos).

Figura 2 – Condomínio horizontal como exemplo de baixa densidade construtiva e populacional.

Quando a ocupação do solo é verticalizada, seja em área comercial (centro) seja em condomínios verticais (figuras 3 e 4), embora a ocupação do solo construído possa ser organizada com ruas e calçadas convencionais, o que se tem são áreas de pilotis (rodapés de edifício) com uma diminuta área verde a ser dividida por uma imensa população distribuída em diversos andares de moradia. Um adensamento dessa natureza jamais permitirá um índice de área verde adequado por habitante, por mais planejada que seja a ocupação.

Figura 3 – ocupação em centros comerciais. Fonte: Google (2015).

Figura 4 – ocupação por condomínios verticalizados. Fonte: Google (2015).

 

 

 

 

 

 

 

A análise da distribuição de árvores/florestas no ambiente urbano considerando-se as diferentes ocupações de moradia tem implicações diretas na qualidade de vida quer seja na qualidade do ar, no sombreamento ou na impermeabilização do solo. De que adianta determinar índice de distribuição arbórea a posteriori se não se pode alterá-lo?

 

Bibliografia citada:

MACHADO, R. R. B.; PEREIRA, E. C. G.; ANDRADE, L. de H.C. Evolução temporal (2000-2006) da cobertura vegetal na zona urbana do município de Terezina – Piaui – Brasil. REVSBAU, Piracicaba – SP, V.5, N.3, P.97-112, 2010.

Este artigo é um capítulo do livro “DIAGNOSE QUALITATIVA DE FLORESTAS URBANAS”, Edição do Autor, publicado em 2015.

Wantuelfer Gonçalves
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